quinta-feira, 20 de agosto de 2009

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terça-feira, 24 de junho de 2008

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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

VÍDEO PORTOPOESIA


1º PORTOPOESIA, Festival de Poesia de Porto Alegre, RS, Brasil,

nos dias 27/28/29/Set/2007, com pré-lançamento em 04/Set/2007.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Veja meu Slide Show!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

AGRADECIMENTO AOS PARTICIPANTES

Caro(a) amigo(a)

Agradecemos sua participação no Porto Poesia, que muito contribuiu para que o mesmo fosse um grande sucesso, e esperamos contar com a sua colaboração no próximo.

Gostariamos de saber o que, na sua opinião, poderia melhorar o evento, solicitando retorno via e-mail.

Um grande abraço

Pela organização

Eduardo Degrazia - Eliane Marques - Elvio Vargas - Deborah Pagano - Isaac Starosta - Jaime Medeiros Jr. - Marco Celso Viola - Mario Pirata - Sarah Goulart - Sabrina Lindemann - Sílvia Rocha - Sidnei Schneider - Telma Scherer

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

CLIPAGEM PORTOPOESIA (3)

Para ampliar e ler clique sobre as imagens.

Correio do Povo, 27[1].09.2007, Arte & Agenda, capa


Zero Hora, 27[1].09.2007, Segundo Caderno, pág 3


O Sul, 27[1].09.2007, Magazine, pág 5


Correio do Povo, 30[1].09.2007, Arte & Agenda, central


Jornal do Comércio, 27[1].09.2007 - Panorama, pág 8


Jornal do Comércio, 28[1].09.2007, Caderno Viver, pág 2


Zero Hora, 28[1].09.2007, Segundo Caderno, Roteiro, pág 5


Zero Hora, 29[1].09.2007, Segundo Caderno, Roteiro, pág 5


Correio do Povo, 26[1].09.2007, Arte & Agenda, capa

terça-feira, 2 de outubro de 2007

NÃO POSSO ACEITAR PORTO ALEGRE SEM POEMAS!

Em meio a tantas dificuldades o convite veio. PORTO POESIA três dias do mais importante evento. Lindo, competente, perfeito. Os espaços ocupados por responsáveis talentos.

Ah, a poesia nos seus mais variados suportes...

quem esteve presente agradou-se, agradeceu.

Posso dizer o que penso? ...Gostei! Foram importantes os aprendizados, os contatos, a alegria e seriedade do encontro. Havia gente querendo estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. E a casa encheu-se de tanta POESIA!

Foi a maior alegria.
Tenho esta tendência de me doar para o que amo e o PORTO POESIA foi a mais pura irreverência.

Quero mais...

poesia cantada, palestrada, declamada, interpretada...

quero a POESIA “v a l o r i z a d a”!

...Só me resta lastimar pelos que se fizeram ausentes e agradecer sinceramente aos organizadores, batalhadores e incentivadores do evento.

Que a POESIA se faça presentemente necessária
d i a r i a m e n t e !
Que as artes criativas sirvam para além de educar, de ensinar...
domar corações e mentes.

Que em nossa cidade, em nosso meio, sempre hajam Celsos, Sidneis, Degrazias, Starostas, Jaimes, Beatrizes, Piratas...

que não nos faltem “guerreiros”!

Quanto aos poETs, que tragam ano que vêm visitantes, curiosos e adoradores de outros mundos também!
Que o movimento provoque uma avalanche de ondas...
de águas
claras consciências...
marolas de poesia em nosso pensar literário!
Abraços à todos e meu sincero agradecimento,
Já aguardo ansiosa o PORTO POESIA II

Maira Knop
Relações Públicas/Poeta
Porto Alegre, outubro de 2007

PROGRAMAÇÃO

PROGRAMAÇÃO

- ENTRADA FRANCA (com retirada de senha uma hora antes de cada atividade)

Agenda para escolas:
Eliane Marques
anecabral763@hotmail.com fone: 93318217
Mario Pirata: mar.rio@terra.com.br fones: 3812890/98144841
Assessoria de imprensa: Sara Goulart:
sarahgou@terra.com.br - (51) 91087621
Contato para comercialização de livros: Calle Corrientes, com Miguel, Rua Uruguai, 35 sala 231- horário comercial - fone 32260995.

(PS. Critério pra colocação dos livros: estar participando do Porto Poesia.)


–DIA 27/09 – QUINTA-FEIRA
Auditório Barbosa Lessa - 4º andar
14h00 às 14h45 - A LINGUAGEM DO POETA E A SÍNTESE INTERIOR (uma rota de aprendizagem) com Marilice Costi
15h30 às 16h30 - POR QUE NÃO SE LÊ POESIA, SUGESTÕES PARA UM LEITOR INICIANTE com Armindo Trevisan
16h45 às 17h45 - A TRADUÇÃO DA ODISSÉIA com Donaldo Schuler
18h às 19h - BREVES ABORDAGENS E LEITURAS SOBRE POETAS DA FRONTEIRA com Élvio Vargas, Liana Timm (POESIA: QUE TERRITÓRIO É ESTE)
19h30 às 20h30 - RAUL BOPP com Maria do Carmo Campos e José Degrazia
20h30 às 21h00 – recital DUAS LATITUDES DIFERENTES: BORGES & FERNANDO PESSOA com Luiz Coronel (não aconteceu)
21h - SARAU LÍTERO-SONORO com a Confraria Vaia

Sala O Retrato - 4º andar
14h às 14h45 - SUREADO: UMA NOVA FORMA DE ORIENTAR-SE com Washington Goularte, poeta e músico uruguaio
17h às 17h45 - PROJETO LEITURA E LIBERDADE com Maira Beatriz Engers
18h às 18:45 - A DUPLA CHAMA: POESIA E GÊNERO com Dilan Camargo, Telma Scherer e Mara Bellini
20h às 20h30 - O RUMOR DA CASA performance com Telma Scherer.

Sala de Pesquisa - 2º andar
10h às 12h - Oficina POESIA DE CORDEL – NAS ORIGENS DA CULTURA POPULAR (1/3) com Suriel Moisés Ribeiro
20h30 – RITUAL POÉTICO EM SEIS MOVIMENTOS com Graça Carpes (RJ)

DIA 28/09 – SEXTA-FEIRA
Auditório Barbosa Lessa - 4º andar
15h às 15h50 - Espetáculo QUANDO A POESIA CANTA (infantil) com Mario Pirata e Karine Cunha
17h às 17h45 - A POESIA DE ISAAC STAROSTA com Alberto Crusius, Isaac Starosta e Silvia Maria Rocha
18h00às 18h45 - PAULO HECKER FILHO – painel com José Degrazia
19h às 19h45 - VERSOS PARA INSTRUMENTOS DE CORDAS - Sarau poético-musical com Idésio de Oliveira, Ida Celina e Angelo Primom
20h - RECITAL NELSON REALISTA, TEATRO DE ANATOMIA com André Arieta, Sérgio Ribeiro e Gustavo Groove

21h - Sarau GRUPO TEIA com Diego Petrarca, Lorenzo Ribas e Telma Scherer

Sala O Retrato - 4º andar
14h às 15h30 - POESIA E POETAS NA SALA DE AULA com Gláucia de Souza, Rita Cavalcante e Marlon de Almeida (Aplicação/UFRGS)
16h às 18h - OFICINA DE SENSIBILIZAÇÃO POÉTICA com Graça Carpes
19h30 - A NOVA POESIA NÃO EXISTE com Marco Celso Viola e Jaime Medeiros Junior

Sala de Pesquisa - 2º andar
10h às 12h - Oficina POESIA DE CORDEL – NAS ORIGENS DA CULTURA POPULAR (2/3) com Suriel Moisés Ribeiro
17h às 17h30 - A NEGRA AMA JESUS: O GALO REZA O PORTO-CRUZ com Marcus Minuzzi
18h30 às 20h - OFICINA DE POESIA DO GRUPO CERO - Escola Brasileira de Poesia Grupo Cero

DIA 29/09 - SÁBADO
Auditório Barbosa Lessa - 4º andar
14h às 14h45min - Filme: "A POESIA NÃO SE ENAMORA NUNCA" (produção espano-argentina) Dir. Miguel Oscar Menassa - Grupo Cero
15h às 15h45 - POETISAS DO BRASIL do grupo CONFRARIA DAS BORBOLETAS, da Casa do Poeta Rio-Grandense
16h às 16h45 - GRUPO QUIXOTE – O ETERNO RETORNO com Soraya Bragança

17h às 17h45 – ENCONTRO com Nei Duclós
18h às 18:45 – POESIA E RESPONSABILIDADE SOCIAL: LILA RIPOLL com Maria Carpi
19h às 19h45- POESIA CRÔNICA (leitura-performance) com Fabrício Carpinejar
20h - A POESIA DE OLIVEIRA SILVEIRA com Sirmar Antunes e Vera Lopes
20h30 - OLIVEIRA SILVEIRA com Oliveira Silveira e Ronald Augusto
21h - RECITAL POÉTICO-MUSICAL Com OS poETs

Sala O Retrato - 4º andar
10h30 às 12h - OFICINA: POESIA É BRINCADEIRA com Christina Dias e Marô Barbieiri
14h às 14h45 - A POESIA E A CRIANÇA com Christina Dias e Marô Barbieiri
15h às 17h45 - SAINDO DA GAVETA com Jorge Rein, Viviane Juguero, Letícia Schwartz, Sidnei Schneider, Paulo Ribas, Bruno Paiva, Cezar Dias, Américo Conte, Rafael Trombetta, Manoel Burigo, Maira Knop, Marcus Minuzzi, poetas presentes e público
18h A POESIA DE JOSÉ DEGRAZIA leitura com Mario Pirata

Sala de Pesquisa - 2º andar
10h às 12h - Oficina POESIA DE CORDEL – NAS ORIGENS DA CULTURA POPULAR (3/3) com Suriel Moisés Ribeiro
15h às 16h30 - OFICINA DE POESIA DO GRUPO CERO - Escola Brasileira de Poesia Grupo Cero
17h - A TÉCNICA DO LIVRO com Paulo Tedesco (Editora Nova Prova)

MOSTRAS E ESPAÇOS DE AÇÃO:
Memorial Erico Verissimo – 3º andar
O AR DA POESIA - Uma seleção de acervos de poesia em suportes variados, da produção poético-visual alternativa, nacional, nos últimos 30 anos. - Curadoria de Mario Pirata e Sabrina Lindemann / Museografia de Sabrina Lindemann, Eunice Rezende e Tábita Wittmann
(A Exposição estará aberta para visitação do público em geral, da partir de 5 a 29/9, terças e sextas das 10h às 19h e sábados das 11h às 18h).


Foyer – 4º andar
BALA BALEIRO - Instalação de poesias em cartuchos usados de balas de revólver e resíduos de pólvora. De Celso Sant’Anna
POESIA VISUAL – POEMATIA E CHÁS POÉTICOS com Graça Carpes

Caffè Di Trento da CCCEVESPAÇO DE LEITURA E FALAÇÃO DE POEMAS - Durante o evento, os participantes e visitantes terão a oportunidade de agendar apresentações e intervenções.
Organizadores: Cristiane Cubas (51-93654290), Gerusa Marques (51-84172697), Lorenzo Ribas (51-92134421).


Informações, inscrições, contatos:
Deborah Pagano: (51) 30296110 / (51) 99611664,
kyronarq@terra.com.br
No blog:
http://portopoesia.blogspot.com/ - No site: http://www.cccev.com.br/


domingo, 30 de setembro de 2007

VARAL VIRTUAL - ISAAC STAROSTA

POEMAR?
Isaac Starosta


Fazer poemas?

Mas pra quê se todas as coisas

estão quietas nos lugares certos

sem qualquer inquietação maior?!

Fazer poemas? Pra quê?

Se já existem tantos e os poemas

até hoje não conseguiram o milagre

de uma criança brincando

de um casal namorando ao sol

de uma bola entrando mansamente em gol!

Pra quê poemas

se esses monstros sutilíssimos jazem

empoeirados num canto da memória

sem nunca se saber quando como e para quem

um dia surgirão?!

Pra quê, se um deles agorinha por aqui passou

e eu, distraído, caneta na mão, procurando o poema,

não acertei na sua direção?!

A poesia passa depressa, não pensa

na dor da saudade que vai deixar.

A poesia é o momento que passa

e até se contenta em ser

constantemente o que não é.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

VARAL VIRTUAL - TELMA SCHERER


Vampira! Te afasta!
Sugaste o meu sonho de pronto
Quiseste beber minha luz
Fizeste o teu santo milagre
E eu magra carrego tua cruz?
Vampira! Te enoja!
Corre fora de ti e tua gente!
Corre logo! Não dança, não geme,
Não treme de medo e de orgulho
Te engolfo e no mar eu te engulo
Na boca da água-viva
No centro dessa saliva
De fogo, sua sonça!
Vai catar a tua pedra na esquina!
Vê se te mira!
Te afasta, vampira!


.............................................


os livros mais grossos
param de pé

as folhas ao vento
dançam


..............................................


prometi pensar coisas felizes
mas matei duas baratas
elas duas desbaratinadas
meu havaianas verde
prometerei outra coisa qualquer
prometerei amar
eles tocam no natal músicas pra deprimir
tocaram Bach e Beethoven eu quis chorar
por que natalizar?
não me deram presente algum
para abraçar nenhum corpo
fantasmas-conceito rondam, todos tristes
se ao menos eu matasse com a frieza dos psicopatas!
se matasse todo dia uma mosca ou barata
talvez fosse pro inferno
no inferno não deve haver natal, Bach e Beethoven
talvez lá promessas sejam cumpridas
mesmo que maléficas
no inferno não deve haver corpos para abraçar
talvez nem a necessidade
matei duas baratas
só hoje

CLIPAGEM PORTOPOESIA (2)

Para ampliar e ler clique nas imagens:

Correio do Povo, 23[1].09.2007, Arte & Agenda, capa



Jornal do Comércio, 24[1].09.2007, pág 2, Caderno Panorama



Correio do Povo, 20[1].09.2007, Arte & Agenda, capa



Assessoria de Imprensa: Sarah Goulart

VARAL VIRTUAL - CARMEN SILVIA PRESOTTO

ELE-ISMOS


Cais alegres
linguagens
Penélopes dragam as mil pedra de um Porto

Ares
da sombras
que, entre mastros navegantes,
somo às noites de Genis
acolho a todas
que suam, partilham suas dores....

No trilho das palavras
uma parto solta a língua
atravessando a maré,
dissolve grávidas odisséias

porto em poesia
:
é criação!

Helenas
me retornam os passos
da seta sutil,
desatamos o nó marinheiro...

Três mulheres ao léu,
o tempo segue o tule dos tempos.



Porto Alegre, 15 de setembro de 2007.

Varal Virtual - Neli Germano

1.

MULHER EM CONSTRUÇÃO

Escandalizo.

Debando a solidão.

Agrido a alma e, por pouco,

não quebro o espelho.

Por que, por que exiges de mim

tamanha transparência, lisura?

Permite-me ser profana,

ser uma simples terrena.

Não, não exijas de mim o martírio

a beatificação - sou pequena.

Susta minha desventura -

meu falso céu.

Deixa-me tecer uma nova verdade.

Alivia minha inquietação e,

se não puderes abarcar minha

dor, vasto é o caminho: vai-te

embora, para que não me transforme

em espectro de mulher.

Quero prover o alimento do meu prazer.

Respirar aliviada.

Ser porta-estandarte

sem manto - sem véu.

Caracterizar minha passagem:

Ser mulher em construção.

2.

PortoPoesia

cais do Poema

em-barco-em-prosa

embarquemos

a sobra da Palavra

Só sobra

3.

SEMÂNTICA

Porta vem de porto (?)

Prefiro o Porto,

com seu vai-e-vem

suas entregas

seu abrigo,

à porta,

com seus ferrolhos

seus rangidos.

Varal Virtual - Virgínia Rocha (Grupo Cero)

Quadro de Rauricio Barbosa




Oceano

Oceano sem margens à vista

onde submersas algas são ar/espaço.

Quem disse, alguma vez até aqui água

até aqui não?

Dis.curso/lucidez ou delírio/

archote, arcanjo./Navios-ossos

os peixes lambem/dessalgam

Sepultura.

Quem disse alguma vez até aqui tudo

depois ausência?

Sem margens o tempo: estás aqui/

In.vento.



Virgínia Rocha (Grupo Cero)


domingo, 23 de setembro de 2007

VARAL VIRTUAL - FABIO GODOH

medo por dentro, poema por fora
não há poesia em poeta contido
feito o poema, o poeta cai fora
e leva consigo o poema perdido

medo por dentro, poeta por fora
não há poesia em poema fingido
feito o poeta, o poema cai fora
e leva consigo o poeta traído

poema por dentro, medo por fora!
encara-te a frio, poeta vencido!
poeta por dentro, silêncio por fora
só há poesia em poema não lido




disse o poeta

(covarde rotina)
o melhor do poema
é a última rima

disse o poeta
(e perdeu a piada)
o melhor do poema
é quando ele acaba

morta a charada!
(o poeta termina)
a piada é profunda
a rima, cretina

morta a charada!
(o poeta se afunda)
e erguemos a bunda
da gorda almofada

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Claufe Rodrigues recebe poetas no Jirau de Poesia da Bienal do Rio de Janeiro 2007.





quinta-feira, 20 de setembro de 2007

VARAL VIRTUAL - ÍTALO OGLIARI

Poeminhas pós-modernos


meu filho é guloso
muito guloso mesmo
na primeira mamada
na manhã de um mormaço de março
mamou o silicone da mamãe

.

para dizerem telha dizem teia
para pior pió
para pó pó
para pedra pedra
para política dizem não gosto
e vão fazendo barracos

.

minha terra tinha palmeiras
onde cantavam os sabiás
meu neto nunca saberá
que o sabiá sabia assobiar

.

quero ser como o Bial
como o Galvão
como o Ronaldinho
como o Alemão
e
se sobrar um tempinho
quero até ser eu mesmo
mas com fama, mulher e milhão

VARAL VIRTUAL - JORGE REIN


fim de festa
são ostensivos os sinais do ocaso
as órbitas das taças
por exemplo
circunferências úmidas na memória da mesa
pegadas de planetas transparentes
em translação ao brinde em que congelam
cristal contra cristal cristalizando
a reciprocidade dos eclipses
por exemplo os despojos
da penúltima ceia despejados
no metal da travessa que reflete
inox inexorável
os estragos da fome
no mercado das artes
sitioplásticas
ou quem sabe a garrafa
vazia por exemplo
embriagada em titânicas ressacas
se deixa engravidar
pela fascinação abissal dos naufrágios
entre os mínimos icebergs
mergulhada
debalde nossas roupas
por exemplo
fingem fazer amor nas almofadas
peles sem habitantes
inadesanimadas
que um braço não se esgota numa manga
nem são meros botões
as genitálias
gentil aia da alcova em decadência
se por exemplo a imagem
do animal provisório que geramos
ficasse registrada na retina
dos lençóis que toda noite apagas
como fica a indelével figura do cadáver
entranhada na trama do sudário
mas os sinais da morte da magia
estão por toda parte
nós mesmos por exemplo
pairando sobre o leito em polvorosa
prisioneiros do fundo
dos olhos dos espelhos
somos outra vez dois
que nos contemplam


Jorge Rein

quarta-feira, 19 de setembro de 2007


Fotos de Chico Seabra

sábado, 15 de setembro de 2007

PRÉ-LANÇAMENTO PORTOPOESIA

Jornal do Comércio, 04[1].09.2007, Caderno Panorama, pág 8


Zero Hora, 04[1].09.2007, Segundo Caderno, pág 5


Correio do Povo, 04[1].09.2007, Arte & Agenda, capa


Correio do Povo, 01[1].09 e 02.09 - Arte & Agenda, pág. central


Correio do Povo, 29[1].08.2007, variedades, pág 29


Correio do Povo, 01[1].09 e 02.09 - Arte & Agenda, pág. central


Correio do Povo, 17[1].08.2007, variedades, pág. 28

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Varal Virtual - Eloísa Roveda Tschoepke


Quadro de Rauricio Barbosa




Espiral

Moinho de lágrimas em pó

E punhos pautados

Segregam estupefação.

Em outro corpo complacente,

Lâminas de folhas finas e rígidas,

Desabitam ausências,

Indúcias do fogo como notação de pássaros

Em galhos aferentes.

No ritmo da espiral

Lágrimas

Punhos

Teclas Premidas

Compõem violência.



Eloísa Roveda Tschoepke (Grupo Cero)

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Colaboradora e responsável pelo espaço: Beatriz França
Produção e Organização do espaço:
Cristiane Cubas, Gerusa Marques e Lorenzo Ribas

27/09 QUINTA
16 horas Aberto a intervenções do público.
17 horas Aberto a intervenções do público.
18h - Malabares de Miriam Helfenstein e Guilherme Gonçalves (externo)
Aberto a intervenções do público.
19h - Grupo Cero lançamento de Livro.
Aberto a intervenções do público.
20h - Solos de Milena Dugacsek e Biba Meira
21 horas Aberto a intervenções do público.
Aberto a intervenções do público.

28/09 SEXTA
16 horas Aberto a intervenções do público
17 horas Aberto a intervenções do público.
18h - Malabares de Miriam Helfenstein e Guilherme Gonçalves (externo)
18h30min - Performance e recitação poética com Ruth Telles e Avelino Collet
Aberto a intervenções do público.
19h- Performance de Rodrigo Westeuser com poemas de Fernando Pessoa.
Aberto a intervenções do público.
19h30min – “Quem conta um conto” – Leitura de Contos
20h – Clownssicos com João Pedro Madureira e Larissa Sanguine
21h - Leo Schneider e Chico Bom
Falação de poemas e som

29/09 SÁBADO
16 horas Aberto a intervenções do público
16h30min- Leitura de poemas criados na Oficina: A linguagem do poeta e a síntese interior – Marilice Costi
17 horas
17h- Leitura de poemas com o grupo de recitação ParaLÊlos
Aberto a intervenções do público.
18h- Performance da atriz Viviana Schames leitura corporal de um poema
18h30min- João Antônio Pereira declamação de poemas
Aberto a intervenções do público.
19h - Grupo Cero com esquete
19h30min – Poesia Concreto (externo)
Projeção de poemas visuais no concreto de Diego Petrarca, Carla Laidens e Mauricio Chemello.
Aberto a intervenções do público.
20h- Apresentação de poesia sonora com Guilherme Floco Mendicelli
Aberto a intervenções do público.
21h - Fogo na Franja – Godoh, Caco e Vargas
Banda com som acústico

Exposições Permanentes:
Bienal B - paredes
Natália Bandeira (gravura) – mesas e varal

Luciano Thomé (desenho) – mesas e varal
Ana Mendes (fotografia) – projeção

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

VARAL VIRTUAL - ARIEL FIETZ DA SILVA

SONETO POR UM LANCHE

Eu não tenho vintém pro chá de mate,
Trago o bolso vazio como a barriga;
Não sei como alimentar a lombriga
Que ronca no estômago e se debate.


Mas na vida encontrei a mão amiga,
Alguém que o nó da fome me desate;
Quis me dar um bolo de chocolate
Em troca de um soneto, uma cantiga.


Te bendigo, colega, alma querida;
Feliz de quem o teu chazinho tome,
Bem digerida seja a tua comida.


A fome agora já não me consome;
Minha lombriga fica agradecida
E diz que nunca esquecerá teu nome!

Veja meu Slide Show!

VARAL VIRTUAL - ZÉ AUGUSTHO MARQUES

Poesia nº 1

Eu quero um país
Cotidianamente
Simultaneamente
Sucessivamente
Fraticidamente
A cada livro
A cada selo
A cada remo
A cada memória
Chegada pela
Multiplicidade
De pássaros
Que andam pelo
Mundo mais livre
Que eu quero ter!
Eu quero um país
A cada vôo companheiro
de asas e timoneiros
que eu nunca vi.
Eu quero um país
Com mais praças
E domingos...



Poesia nº 2

Vou salvar
Tudo o que quero salvar
Já foi dito
Ao vento de invento
Dos livros que eu li
Mas o que eu mesmo
Vou salvar urgente
Está nesta enchente
De esperança e de grito!



Poesia nº 3

Vamos correndo – vem correndo
Enquanto há tempo no tempo
De impedir o esgoto
Com seu mau cheiro nojento
De espalhar a mistura
Com cacaca e fermento
Que dói na água
E se espalha ao vento
Vamos salvar a alegria
Com as palavras de dentro
No coração da barca
Do dilúvio e fantasia...

VARAL VIRTUAL - ROSANE SCHERER

O Barco

Num mesmo dia não se pode construir um barco.
Nem mesmo atravessar o oceano.
Os alicerces brotam a princípio
Depois de pronta a carcaça, erguerá o mastro,
Retocará os acabamentos e partirá em busca da sabedoria...
Passarás horas... dias... meses... anos navegando.
Guardarás contigo de toda a aprendizagem.
Saberás seguir os rumos encontrados
E pintarás de cores alegres
Para que possas viajar em plena harmonia.
Conduzirás teu barco, construído por ti,
Porque sabes onde ficam seus detalhes e seus segredos
Serás o rei da tripulação. De ti partirão as leis e seus princípios,
Que aprenderás navegando.
E só chegarás a teu destino se a luta for verdadeira em ti mesmo,
Pois só os fortes podem atravessar o oceano sem naufragar.



NÃO FIQUE CALADO – PROTESTE!

Eu não quero mais ... Ficar calada
ficar parada nas filas intermináveis dos bancos
Eu não quero mais
violência, banalidade, crueldade
Eu não quero mais
gasolina adulterada no meu carro
Eu não quero mais
a corrupção em meu país
Eu não quero mais
a impunidade dos corruptos e bandidos
Eu não quero mais
Os Direitos Humanos defendendo os bandidos
e deixando a sociedade abandonada
Eu não quero mais
Que matem as pessoas neste descaso incompreensível
Eu não quero mais
que os salários dos servidores sejam parcelados
Eu não quero mais
Ver o povo calado, sem reclamar
Eu não quero mais
Ver meu país se afundar nesta lama
Eu não quero mais
políticos corruptos, inescrepulosos e falsos
Eu não quero mais
Impostos absurdos, sem uso digno, sem causa
Eu não quero mais
A falta de valores, de ética, de verdade
Eu não quero mais
ouvir mentiras de gente abusada,
ver atitudes estúpidas enganando as pessoas
Eu não quero mais
Ver propagandas absurdas lavando o cérebro do povo
Eu não quero mais
O lixo tóxico, a derrubada das nossas matas, a poluição
Eu não quero mais
o desperdício de água limpa, a sujeira nas ruas
Eu não quero mais
mendigos e meninos abandonados, sem casa, sem teto, sem perspectiva
Eu não quero mais
A falta de educação, de cultura, de saúde
Eu não quero mais
A falta de vergonha na cara, desses governantes covardes e estúpidos
Eu não quero mais!!!
E você?
Vai ficar calado, com essa dor no peito, esta sensação de impotência?
Vai ficar calado diante deste caos, diante desta falta de respeito
para com os nossos direitos, para com os valores, para com a nossa vida?
Pare. Pense. Tome Uma Atitude!
Tome Coragem e Mude Esta Palhaçada Toda...
Ou Você Será Mais Um Palhaço
Para Que Eles Possam Rir Da Tua Cara...

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Poema em camiseta, de Geraldo Maia, Salvador, BA.



VARAL VIRTUAL - SONINHA PORTO

VERSO CALADO


Os meus verdes, hoje, dançam assanhados,
gotas de chuvas penduram-se nos varais,
os brincos vermelhos fazem-lhes agrados,
buquês fartos, folhas e flores nada mais.

Este bailado que ora me inflama,
seduz tolas rimas das minhas lembranças,
sempre Amor na boca da triste dama,
misterioso amar que a alma reclama.

Não é preciso falar tudo o que penso,
nestes leves traços encontras o meu eu,
perdido, somente contigo renasceu.

Vou calar, não deves saber tudo de mim,
entrego escondido o verso que trai,
À névoa suave que cai... no meu jardim.


- soninha ferraresi porto
"não há nada mais lindo que várias pessoas unidas por um mesmo fim"...é como se todos fossem apenas um...Até que enfim a vez da Poesia!!! Poetas guerreiros lutando pelo espaço e reconhecido direito de serem sensíveis em mundo de puro concreto. Parabéns a galera...aos organizadores meu beijo no coração...aos parceiros, minhas mãos...e aos Porto-alegrense: o melhor de nós!

Grande beijo,

- Maira Knop

terça-feira, 4 de setembro de 2007


domingo, 2 de setembro de 2007

Poemas de alunos da 7ª e 8ª séries do colégio estadual Pref.Antônio Pratici, da Cidade de Guaurlhos, SP.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007



A LIBERDADE EM DEDÉ FERLAUTO*

Nei Duclós

* Originalmente publicado no blog
Outubro.blogspot.com

“Peço demissão do cargo de habitante do planeta”
(trecho de uma carta de Dedé endereçada a mim, datada
de 27/abril/1977)

Foi-se, nesta madrugada de 24 de agosto de 2007, o
poeta Dedé Ferlauto, partindo o coração de todos os
seus amigos e de uma família brilhante, de um músico
(Leo), um arquiteto (Cláudio), um engenheiro (Felipe),
mais a família que ajudou também a inventar, mulher,
filhos, netos, enfim, todas as pessoas que conviveram
com ele nesta curta/longa vida. Palavras não servem de
consolo, ainda mais partindo de mim, que há muito
tempo não conversava com ele. Soube recentemente que
ele estava morando no sul da ilha. Mas, como disse em
meu livro Outubro, que Dedé gostava demais: a
linguagem é a única arma que eu disponho.

Fui amigo de Dedé, mais intensamente por um tempo, do
final dos 60 até o final dos anos 70, quando então nos
correspondíamos por carta, eu em São Paulo iniciando
uma vida dura na megalópole, ele, mais lúcido,
refugiado em Sapiranga, interior do Rio Grande do Sul.
De lá me enviou confidências e poemas. Um deles, Furto
Qualificado, diz assim: “Por todas as frestas/ de
todas as paredes/ desta casa/ muitos olhos espreitam/
consultam/ memorizam/ e sons são sugados,/
magnetizados/ por todos os poros/ da casa/ do corpo/
das palavras(...)”

Tomei conhecimento de Dedé Ferlauto quando vi, colados
em azulejos, selos/poemas assinados por Zé Liberdade.
Era ele. “Me sinto por fora desta coisas que andam
acontecendo entre as pessoas que escrevem, revistas,
editoras, livros e outros.”, me escreveu ele anos mais
tarde. “Os caras andam muito chatos com essa mania de
querer fazer História. Acho um saco. Caí fora. Me
sinto sem norte, sozinho e não me assusto”. Via-se
como um anarquista. Vejo-o como um outsider sincero,
que viveu integralmente sua literatura, a que fisga
pela vocação e carrega a criatura escolhida por toda a
vida.

Suas palavras, como de todo poeta, são proféticas.
Veja o que disse no final dos anos 70: “Ando
contrariado com minha vida profissional” (e quem não
anda, Dedé? acrescento agora eu). “O que é um
jornalista hoje em dia, salvo exceções? Não estou mais
aí pra andar informado da merda mundial.” Ele estava
em outra: “Enquanto isso vou procurando caminhar com
minhas próprias pernas e levando minhas palavras por
aí afora, como quem não quer nada. Quer nada? Como
quem? Como? Quem? Quer? Nada?”

Numa carta coletiva/manifesto, deixou claro sua ação
poética em trechos selecionados de grande lucidez: “É
compreendendo a angústia que se resolvem problemas, e
concomitantemente é compreendendo-a que ela se dissipa
numa grande e violenta atividade de criação. É olhar
para dentro, para mim, é tentar compreender as
linguagens que nos cercam (como as abelhas, como as
plantas, como a biodinâmica, como o ciclo de vida nas
plantas, hortaliças etc.) e pelas linguagens que
utilizamos para a nossa criação (abaixo a arquitetura,
viva a agricultura!). É dentro da angústia, da
indecisão, que é possível localizar o desconhecido, o
novo. “

Dedé não quis compactuar com políticas, grupos,
panelas. Preferiu a solidão poética, a verdadeira, a
que jamais consola, pelo sofrimento que provoca, mas a
única que garante a liberdade. Ele escolheu a
liberdade numa época em que tudo foi datado,
classificado, organizado, definido. Por isso Dedé
Ferlauto é uma prova viva de que podemos ser criaturas
livres, mesmo que isso nos custe uma vida difícil, mas
jamais apartada da grandeza.

Foi-se Dedé Ferlauto. Seus agitos continuam. Longa
vida à sua obra
............................................................................................
TRÊS POEMAS DE DEDÉ FERLAUTO

ARMA

QUANDO ACORDARES
E NÃO ESTIVERMOS AO TEU REDOR
LEMBRA ISSO
O AMOR É O ÚNICO RECURSO
A ÚNICA ARMA
MESMO QUANDO CHORARES
ESQUECIDA
E ABANDONADA NAS ESQUINAS
O AMOR É A ÚNICA ARMA
QUE PODERÁS PORTAR
E USAR SEMPRE





SILÊNCIO

DOR SENTIA QUANDO LEMBRAVA
QUE TUDO O QUE QUERIA DIZER
ANDAVA AFOGADO
NAS SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS




QUANTO MAIS
BATO ASAS
MAIS CRESCEM
MINHAS RAÍZES

Varal Virtual - Renato Battistel



um pouco ateu, não sinto o ar

aviões descalços,

e rendas brilhantes

trabalham no navio


esperem aí,

também fui criança!


a alegria não chega

vou não sei pr’a onde

e volto monárquico


não posso com as iras,


me cansa esta febre!




Renato Battistel

-Grupo CEro-


Varal Virtual - Barbara Corsetti




e assim contam as borboletas

entre uma folha e outra

onde os pés tropeçam

cantarolando notas rotas


a morte

esconde a carreta que leva o menino mau


no casaco azul

um sonho pula 3x

pintando de nuvem as estrelas

onde qualquer vento

cai entre os dedos dos anjos

e o gafanhoto

devora cérebro de cobras engravatadas


Barbara Corsetti

-Grupo CEro-

Varal Virtual - Leonora Waihrich




ouço o meu silêncio

ecoando murmúrios


por entre os dentes

escapam paredes


Leonora Waihrich

-Grupo Cero-

Varal Virtual - Marcela Villavella




Assim é a rosa...



Em uma manhã de verão

não havia que temer...

Mas um golpe é um golpe

mesmo que venha de tua mão.

Assim é a rosa.


Do fio de um grito

nasceu a solidão,

essa viajante a quem amei,

atravessa com suas garras

meu coração,

e murcho.


Se faz escura a vida em um instante,

e busco um mole

para afogar minha loucura

em teu mar.


Nasce a morte uma e outra vez

e não se deixa morrer.


Hoje choraria ao mundo

um pranto enamorado,

lhe diria que sem teu amor

se quebram as palavras.


Tenho os lábios apertados de dor

e não me acostumo.

Um golpe é um golpe,

mesmo que venha de tua mão.



Marcela Villavella

-Grupo Cero-

Varal Virtual - Lúcia Bins Ely





Entreabertas loucuras e solidões

aterrisam neste breu

mescla-se violência e candura

nas crianças que ninguém vê que

vêm e morrem sorrindo.

Os peixes absorvem rápido o estremecimento

as mulheres dão folhas

e um ramo abrupto de relâmpagos

colhe com sutileza todo o

derramado...

E por baixo da terra vive

um fomento de luz

que morde

E colhe o supremo e o supérfluo

e as palavras que escorreram

do relâmpago, da mulher e

da morte das crianças...


Lúcia Bins Ely

Grupo Cero

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Varal Virtual - Mára Bellini



Concedi incêndios

a tua mirada

e todavia

me esqueces

cairei

vaga-lume de passos

íntima faca na garganta

cravada no espelho

não há pele que contenha,

brancura jasmim,

tua queda obscura


Mára Bellini

GRUPO CERO

domingo, 26 de agosto de 2007

Varal Virtual - Maira Knop




"...nas cordas vocais

d o

t e u

varal

quem dera fosse eu o vento..."


Maira Knop

Varal Virtual - Bruno Brum Paiva

S E G M E N T O


Caricatura atômica desfilando faceira
nos entrelaços minúsculos do homem moderno
afoita e indecisa, como solta na poeira,
a não reflexão dos atos e o não pensar, eterno.


Embaralhado e maduro anfitrião
a escalar áridas e montanhosas calçadas,
já não tens mais revés ou patrão.
A vida devolveu-lhe ao tremor das alçadas.


O objeto opõem-se vagarosamente ao sujeito
menos encantador e travesso
suas virtudes mais parecem salientar o defeito,
inusitada flor da semente morta no gesso.


A potente intuição me coloca
frente ao abismo futuro.
A teimosia tem sua voz e não se desloca:
todos meus sins quebrarão o muro.


Bruno Brum Paiva

VARAL VIRTAUL - POSTAIS DE SANDRA CAMURÇA (PE)







Varal Virtual - Américo Conte

ABACATEIRO DE PENSÃO

Sobre velhas telhas encardidas

atapetadas por musgos e liquens,

estendem-se galhos e folhas carcomidas

de um abacateiro de pensão.

Testemunho único de um rodízio de vidas

que se instalam em uma hospedaria do tempo,

de passagem a sonhos e metas preestabelecidas,

carregando na bagagem uma igual situação.

Fuxicos e fofocas não se contam mais em pauta

ante tantos outros fatos que já presenciou.

Bebedeiras, brigas, roubos e mesmo um simples tocar flauta

são coisas que auxiliam a um acumulo de tensão.

Desconfianças e despejos são jogos que prevalecem

numa casa de regras estabelecidas,

onde, às escondidas, sexo também acontece,

permitido que é em palavras, mas proibido em ação.

Porém não são só desavenças e entradas pelo cano,

alegrias esfuziantes por vezes os enaltecem,

principalmente no Natal e festas de fim de ano

confraternizam-se em sentimentos de grande comoção.

E o abacateiro quase esquecido e maltratado

possui seus momentos de atenção, pelos inquilinos,

que afirmam deveria ser ele cortado,

cedendo lugar a outra árvore, de melhor aproveitação.

Todavia ele exerce seus serviços no quintal.

Além de poste onde o cachorro fica amarrado

é também o suporte de um dos lados do varal

sendo, aos donos do local, imprescindível sua função.

Todos os anos, aos moradores, acalenta esperanças

quando frutinhas em seus galhos, brotam em abundância,

entretanto sucumbem, feito raquíticas crianças,

sobrando apenas algumas de duvidosa degustação.

Época difícil, em que só escuta injúrias,

tendo como único amigo o cachorro

que enroscado aos seus pés lhe confidencia lamúrias,

compartilhando a amargura de nunca poder ter razão.

Adubos e bons tratos, nunca a ele se destinam,

só o lembram como escada, para o consertar de telhas,

e o amigo confidente sempre em sua base urina...

Perdoa-o, pois sabe que na vida não existe perfeição.

Ciente de que um dia irá chegar o seu fim,

deixou de se aborrecer e se inconformar com o destino,

pois aprendeu que as pessoas continuam sempre assim,

uns tempo uns, outros, outros, conservando suas humanas condições.


Américo Conte

Varal Virtual - Miguel Oscar Menassa

A POESIA

NÃO SE ENAMORA NUNCA


a meus filhos, discípulos e afins


Não me façais correr vossas carreiras

nem me façais voar em vossos vôos

nem me façais fazer vossos trabalhos

nem, tampouco, amar vossos amores.

Eu, filhos meus, com paixão,

os transportei voando,

sempre, a vosso lado,

desde os confins quietos da família

até as portas em liberdade do mundo.

Agora começa vossa viagem

e, se os deixo partir sem acompanhá-los,

é porque eu tenho minha própria viagem.

Devo pôr, no caminho que construí

com minha própria vida e escrevendo,

meu nome, meu sobrenome, minhas marcas,

meus sinais pessoais, que são a poesia.

No caminho encontrareis o ouro e a pobreza,

os precipícios fundos e as grandes planícies.

Haverá em vossos caminhos, não duvideis,

emboscadas, traições, vis injustiças,

por isso

é conveniente viajar acompanhado.

E, quando consigais algo de pão, algo de dinheiro,

tentai reparti-lo o melhor possível entre todos.

Alguém que comeu

e tem dinheiro para o pão de amanhã,

em algo se sentirá feliz e seu trabalho

não será dirigido pela fome ou pelo ódio

senão pelo amor ou pela liberdade.



E este é o verso onde tentarei

deixar-lhes o ensinamento mais necessário:

Numa sociedade justa, o trabalho é um dom:

uma alegria, um bem, humano propriamente,

com o qual se pode modificar o natural,

a vida, os enxames de sonhos, o sol.

Com o trabalho,

o homem pode voar sem asas,

navegar pelos mares sem conhecer o mar.

Da árvore,

estupefato de surpresa ante o homem

pode o trabalho arrancar uma cadeira

e, da pedra, os sinais

que forjam o porvir do homem,

sua casa,

seus monumentos,

sua própria lápide.



MIGUEL OSCAR MENASSA


Grupo Cero


Varal Virtual - Eliane Marques

Foto de Mara Bellini




dos teus atos

não houve testemunha

porém te viu a noite

e não podes evitar

que ela fale

por isso

te espera a casa dos mortos

onde se cultivam rosas

e trigo para tua colheita

choveu sangue

e não há mais

que grãos manchados

lá estará tua mãe

sem rezadeiras-pagas a lamentarem

e arrancarem o cabelo ao lado de seu corpo

todavia

tu não podes chorar

o negror de teus cílios

arruinaria a maquiagem de teu rosto

então

e manda uma mulher

que chore por ti


Eliane Marques

Grupo CEro

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

VARAL VIRTUAL - ARTUR GOMES


Varal Virtual - Elvio Vargas

Quando inventaram tudo
sobraram para mim
este viveiro de ilusões quietas
e uma bicicleta
que até hoje pedalo
soprado pelos ventos
do fim do mundo.



BRINQUEDOS DE JÓ

"Depois das contrações, apareci.
Duas palmadas fortes e uma sede ardente, me despertaram.
O seio anunciado, estava seco. Nunca chorei pelo leite não derramado.
Troquei as dores do Édipo, pelas feridas de Rômulo. Um destino duro, sempre me guiou.
Domino pouco a arte das palavras. Só isto basta, para ventar céu, infernos e mortalha.
Guardo a sete chaves, desde os meus primeiros dias: ferramentas, utensílios
e os mais estranhos brinquedos de Jó."



Elvio Vargas

Varal Virtual - Paulo Ribas

maresia



a anciã agarrada ao cajado

segue andando com ar astuto

a quase noventa pés por minuto

tal qual navio de médio calado

mas o velho bordão com jeito estranho

afetado por certo andar rijo e ufano

denuncia todas alegrias de antanho

não mais a consolam nem

os odores dos mares do sul

nem os amores nus

dormidos ao sol do oceano


Paulo Ribas

Fotos de SERGIO FONSECA (RJ)

GURI
CÉU


BARCOS

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Varal Virtual - Etienne Blanchard

"então fazes amor & pazes

então queres, não feres, não erres"

o pintor louco escrevia em muros

"o jovem príncipe quer imagens & viagens

& margens

mas as viagens mais densas & perigosas

se fazem dentro de si mesmo

já dizia Henry Miller

então ele dentro de seu cérebro & alma

andava a esmo

procurava o Sol

navegava a remo

dentro do oceano infinito de seu universo

pensava em versos

vagava lento

os passos do Minotauro, seu invento",

o pintor louco continuava

escrevia tudo o que lembrava

"o Minotauro perseguia no labirinto

o fio de Ariadne perdido

& Teseu...

& Perseu era um gato

calmo, taurino e pacato

Joana, sua namorada,

ele lambia

mas não podia consumar o ato"

então o pintor se lembrava de um distante regato

"Onde as águas cantavam canções infinitas

de amor, dor & cansaço

a História também de

uma jovem & um jovem

que se amavam com estardalhaço

neles não havia dor nem cansaço

somente corações-sol em chamas

& risadas de feliz palhaço

Conheceram-se em 11 de novembro",

O pintor dizia

"ainda me lembro,

Viveram 150 anos

juntos, no mínimo

o resto não fiquei sabendo

...

O nome dela Juliana

O nome dele Estevão

gostavam de astros e estrelas

Arte, Teatro e ovelhas

No cais, do navio

ela abana

juntos os 2 viajam

por países internos

de letras

Teatro, Cinema & borboletas

lagos, mares & Espelho"

Aí o pintor se perdia,

contar algo mais,

não mais sabia

Agora falava da Relatividade do Tempo

& do Verbo onde tudo principia

do Espaço Infinito,

dimensões escondidas

& de suas imensas feridas

& começava a cantar

uma canção estranha,

com a alma toda,

beleza tamanha,

que ouviu de um mudo&surdo,

cego, que tudo assobia.

E o pintor louco começou escrever nos muros do mundo:

ninguém sabia, era ele um artista, um louco ou um vagabundo?????

VARAL VIRTUAL - DANI MORREALE







fotopoema de Rozana Gastaldi Cominal


Varal Virtual - Viviane Juguero

Devoção

Viviane Juguero

Prostração preambular

Enceta o ato

Os joelhos – indolentes

Ignoram a superfície frígida

Entre júbilo e ardor

Curva-se

Agarra exultante

Como se expirasse

Como se não mais pudesse

Como chance ímpar sem par

Contato rústico místico

Rijo, o pau imponente

A tenra carne macula

Pressão progressiva

Ânsia do êxtase

Da erupção

Dos mistérios contidos

No cilindro sagrado

Veias pulsantes

Deslizam e paralisam

Ante o obstáculo transversal

Sôfrega, numa carícia

Roça os lábios bem na ponta

Mais abaixo

Mais abaixo

Estremece

Sobre a língua

Respousa a dádiva

Dissolvendo paulatinamente

Sem pressa

Néctar branco e saliva simbiônticos

Aveludam as mucosas

Penetrando a intimidade da garganta

Comovida com a eucaristia

Madre Laurinda

Aparta o crucifixo

Findando seu rito diário de fé

Como se expirasse

Como se não mais pudesse

Como chance ímpar sem par

Varal Virtual - Maira Knop

BEIRAL

Aquela gota dependurada
na orla do telhado
que cria cintura e cai
como cortina de vidro que fosse
é a única
capaz
de
e

t
i
c
a
r

a á g u a

Varal Virtual - Luis Fernando Prôa

Cárcere

cada dia
que passa
a sentença:

minha alma
condenada
ao poema


Luiz Fernando Prôa
Arte feita por Tavane Reichert Machado, exclusivamente para o evento. Viva nós!

VARAL VIRTUAL - MARCUS MINUZZI

O amor e o rei amado enquanto mito


Dora domestica o dono do poema-imperialista.

Todo sonho porta sonos poderosos e arranjos alvo de procuras.
Dardos doutos de mistério denunciam a poesia ornadora, bendita,
Pronunciada ao tom de símbolos sonhantes.
O recurso geral à cobra geradora da glosa do povo.
Vontade do mundo: o devir utópico,
A verdade enquanto mentira,
E o amor e o rei amado enquanto mito.
O roçar-se da dinastia de padres bentos e paus batistas
Com a serena bravura do gozo
Constrói a nação casta e pura.
O dom da deusa é dormir com compridíssimos cabelos
E também música.
Os pêlos de Dora dominam os ventos.
A verdade é que Deus será olvidado pelos séculos.
O domínio do esquecimento arderá em nosso espírito.
O preto gosta de alento e carnaval.
O gesto olímpico cegará o laço onírico.
A hora definitiva amanhecerá ornada por reses restabelecidas do abate.


O lado maloqueiro de Porto Alegre

(Para Zé da Terreira)

Os homens olham o coito.
Há negros loucos, neguinhos vadios,
Queridos e netos do estrume benfazejo.
Ah, noite divina, raiz do mato, reggea outro,
Negra luz sobre o povo enigmático
Das encruzilhadas de Porto Alegre
E dos nus arrancados astrologicamente.
Há sacis bebês ativos
Nos galos latinos
Desta ardente povoação que eu pinto.
O povo gosta da grossa, macia e escura coxa.
O crescente perdão do pai
Enquanto a mata rejuvenesce.
O ar divino e redentor.
O lado maloqueiro de Porto Alegre
É moleque e dono de uma paixão silvícola:
A natalidade homenageia o lúbrico amor
De uma gente arteira:
Os neguinhos que fazem "bolo" na esquina.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Intervenção em foto de Antonio Felix

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

VARAL VIRTUAL - SANDRA CAMURÇA - Recife PE

nos dentes

eu sempre soube

sempre soube
mesmo quando tudo parecia acabado
eu sempre soube
sempre soube
mesmo quando o mundo dizia que nada adiantava
eu sempre soube
sempre soube
mesmo sem ver a luz no fim do túnel
eu sempre soube
sempre soube
mesmo me sentindo derrotada
eu sempre soube
sempre soube
mesmo quando ninguém acreditava em mim
eu sempre soube
sempre soube
mesmo quando me sentia só
eu sempre soube
sempre soube
mesmo com o tesão ausente
eu sempre soube
sempre soube
mesmo desesperadamente descrente
eu sempre soube
sempre soube mesmo sem paciência de esperar
eu sempre soube
sempre soube
Que a vida se agarra nos dentes.

às vezes

não é que eu não goste de tranqüilidade

é que às vezes a acomodação se traveste de paz

não é que eu não goste de limpeza

é que às vezes a assepsia é muito fria

não é que eu não goste da virtude

é que às vezes só o vício me salva

não é que eu não goste de harmonias

é que às vezes meu toca-disco pede ruído

não é que eu não goste de alegria

é que às vezes a melancolia vem à revelia

não é que eu não goste de ordem

é que às vezes na bagunça a vida é mais viva

não é que eu não goste de luz

é que às vezes à sombra eu vejo melhor

não é que eu não goste de você

é que às vezes eu preciso estar só



domingo, 12 de agosto de 2007




VARAL VIRTUAL - MARÔ BARBIERI

mesmo a coisa finda
carrega em si semente escondida
larga
iluminada
generosa

mesmo a alma frouxa
carrega em si fiapos de luz
caminhos de alimento e graça
destroços e
construções

o que está por vir
mesmo pleno de vazios
é pulso de vida
estrada e horizonte

viagem
Intervenção em foto de Elsa Mota Gomes (máscara)

A poesia é necessária? É mais do que necessária. Nesses dias, é mais urgente do que impossível fazer poesia. Digam, respondam. Sem desandar o rosto, sem esconder o dia. O que seria o ser humano sem poesia? Um algemado no tempo, uma máquina fria? Por isso a explosão, devolvendo à cidade o seu nome, três dias inteiros de Porto Poesia. Pra que ninguém diga, estavam todos aqui, e eu não sabia.

- Sidnei Schneider

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

VARAL VIRTUAL - LUIZ CORONEL

O Pai

Nossa mão pequena
em sua mão,
semente no fruto
ou fruta em seu cacho.

Nossos brinquedos
cabiam em seus sapatos.

O pai não teme a treva
nem os barulhos do pátio.

O pai é o pai.
Pão e o vinho
na cabeceira da mesa.

Um dia nos descobrimos
surfando as ondas,
sobrevoando as montanhas,
cruzando as estradas.

Mas todas as setas
apontam o regresso
à casa paterna.

Quando o pai sorri,
o sol se impõe
sobre a neblina.

Ao abraçá-lo,
sentimos o peso do tempo
sobre suas costas.

O pai tem gestos brandos
e olhar incisivo.

Mas onde quer que estejamos,
o seu olhar nos guia.

E a sua mão
nos abençoa.


quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Intervenção em foto de Evandro Monteiro

sábado, 4 de agosto de 2007

VARAL POESIA - ...

No meio do blog tinha uma postagem
Tinha um poema no meio do blog
Mas o poeta não respondeu nem sim nem não
Tinha um poeta no meio do blog
(agora não tem mais)

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Reunião de organização do PORTOPOESIA, na livraria Palavraria.

Oficina POESIA DE CORDEL - NAS ORIGENS DA CULTURA POPULAR


(com Suriel Moisés Ribeiro, dias 27, 28 e 29, das 10 às 12 horas)

Nossa cultura brejeira,
Matuto berço das musas,
Em meio a mentes confusas
Hasteia sua bandeira.
Assim como a caatingueira
Agüenta a seca infernal,
No deserto cultural
Quero ver forte e viçosa
A raiz maravilhosa
Da Cultura nacional.


Hoje em dia quando se ouve um matuto improvisando versos ou quando se lê um folheto de cordel, coisas muito raras aqui no sul, mas muito comuns em outras regiões do país, geralmente só se enxerga naquilo um amontoado de versos rimados de difícil entendimento, ditos em um sotaque engraçado e embalados por uma cansativa repetição de acordes de viola. Isso é muito natural, pois os olhos que estão acostumados a pouca luminosidade, se ofuscam quando são expostos a uma luz mais intensa, e o próprio brilho desta os impede de contemplá-la. Quando acostumamos nossos olhos ante o lume da poesia cabocla, começamos a ver a genialidade presente nesta arte. Genialidade esta que nem os mais condecorados doutores em literatura conseguem alcançar, mas que muitos roceiros analfabetos dominam sem nunca terem recebido instrução acadêmica. Esses humildes trabalhadores de roça são herdeiros deste tesouro milenar que é a prática da literatura oral tradicional. Essa literatura tem sua origem em tempos remotos onde povos primitivos já praticavam o improviso de versos para evocar as forças da natureza e remontar feitos de seus heróis. Estas práticas originaram a cultura literária na idade média, que atravessou os tempos até chegar em terras brasileiras onde continua até hoje se desenvolvendo. O Brasil é o único lugar onde a poesia popular de origem medieval continua sendo produzida. Esta poesia chegou aqui com não mais de três tipos de estruturas e se desdobrou em mais 46 gêneros de metrificação e disposição de versos. É com objetivo de divulgar este límpido manancial da cultura que estarei ministrando esta oficina que tratará da origem e evolução da literatura oral tradicional.

Suriel Moisés Ribeiro
suriel.ribeiro@gmail.com

VARAL POESIA - CELIA MARIA MACIEL

Mãe-doceira


A mãe andava de avental pela cozinha
os guris brincavam no quintal com carrinhos de latas velhas de azeite.
A mãe era doce quando fazia glacê branco bolo com recheio e quando fazia de conta que xingava os filhos.

Eu ia para a janela cansada de lamber raspas de leite condensado. Jamais sonhei a tristeza feito calda grossa enquanto ela via o ponto do açúcar.

Mas nas sombras a tristeza escorria escaldante e densa pelo meio dos dias que viriam anos depois e que nos fez – os irmãos – perdidos uns dos outros e da mãe-doceira para sempre.



- Celia Maria Maciel
Menção Honrosa no Prêmio Lila Ripoll de Poesia/2007

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Poetas na Arca


Poetas interessados em mandar poemas sobre o que salvariam na Arca,
em falar poemas, navegar com a imaginação e participar do grupo,
visitar o espaço do projeto Essa Poa é Boa e colorir as fontes de água de Porto Alegre,
podem entrar em contato com Mario Pirata, pelo e-mail
A ARCA DO ARROIO DILÚVIO vem somar-se ao PORTOPOESIA
no movimento de tornar a nossa cidade
uma comunidade mais feliz, mais bonita e menos careta.


ARCA DO ARROIO DILÚVIO

GRUPO DA ARCA ESTÁ CRIANDO UMA INSTALAÇÃO ESCULTÓRICA PARA A EXPOSIÇÃO "ESSA POA É BOA", QUE INAUGURA EM 30/8/2007.
O CONCEITO DESTE TRABALHO FOI CONCEBIDO DEPOIS DE LONGAS CONVERSAS SOBRE O AQUECIMENTO GLOBAL E A CONSEQÜENTE DESTRUIÇÃO DE VÁRIOS ECO-SISTEMAS E SOBRE AS CHANCES DE SOBREVIVÊNCIA DOS SERES VIVOS NESTAS CONDIÇÕES.

QUAL SERÁ O FUTURO DO PLANETA VISTO QUE TAMBÉM VERIFICAMOS A FALÊNCIA DA ÉTICA NAS RELAÇÕES, A IMPOSIÇÃO DA FORÇA BRUTA COMO ÚNICA FORMA DE ACABAR COM OS CONFLITOS RELIGIOSOS E ECONÔMICOS NESTE MUNDO PÓS-MODERNO CAPITALÍSTICO.

Os artistas desta viagem são:
ANA AITA, ANGELA PETTINI, BETH MELLO,BIRA FERNANDES, GUSTAVO NAKLE, ISABELLA lACERDA,IRENE SANTOS, JORGE KOENEN, MAIA MENA BARRETO, MANOLO DOYLE, WILL CAVA, XAPLIN.

E os poetas: CARLOS URBIM, MARIO PIRATA E ZÉ AUGUSTO MARQUES.

http://arcadoarroiodiluvio.blogspot.com/

http://www.essapoaeboa.com.br/

segunda-feira, 30 de julho de 2007

VARAL VIRTUAL - MARCUS MINUZZI

O mar do indefinido (trecho)

Sonha comigo, fada boa e criativa.

Rebolas com devoramentos,
Numa atitude de esmagar o pinto.
Aquele homem já não sou.
Amassas meu pau como uva em vinho,
Como milho em pão.
Queres esta glúten,
Para fazer novos pintos,
Dentro de um ovo.
Vários novos mitos meus cabelos irão colorir,
Mitos de arrastar os pés, juntos,
Em lendas sexualizadas, faces obscuras,
Que ninguém entende, apenas ama.
Amor, morte e dúvida:
O maior telhado para nossos terreiros
Só pode ser esta nave indefinida.
Amor de marinheiro.
Sou mistério, Dora, moça bonita,
Mas tenho cristos em meu caminho,
Um maracatu angélico e preciso.
Veloz diamante me pintou sagrado e inatingível,
Guardado em segredo dentro da vagina.
Meu beijo de rã caída e sem máscara verde
Pousará a cruz sobre tuas
Minas inesgotáveis
De sabedoria.

VARAL VIRTUAL - JOSÉ EDUARDO DEGRAZIA

DISCÍPULOS DE EROS

Os namorados
são transparentes
quando olhados
de frente
de lado
de perto
ou distante
são diamantes
amantes, amantes
amantes
dão-se as mãos
simplesmente
mentes e olhos
mentem versos
verdades várias
vôos
são pássaros
são peixes
imersos no mar
do amor
esquecidos
de tudo
de nada
de todos
jogam dados
do destino
cantam hinos
são apenas
lábios, lábias
sedução
sábios e vivos
inocentes
e meninos
enquanto amor
os domina
e ilumina.


A HORA CERTA

Quando não se puder
mais olhar uma flor,
quando não se puder
mais amar uma mulher,
quando o mundo for
só aparência de ser
e não permitir alegria,
é a hora certa de plantar,
é a hora certa de cantar,
é a hora certa de amar
é a hora certa de ver,
é a hora certa de viver,
é a hora certa de colher,
a manhã sempre vem,
o amor pode voltar
pra te dizer que a vida
vale a pena ser vivida.

É a hora certa de plantar,
é a hora certa de cantar,
é a hora certa de amar,
é a hora certa de ver,
é a hora certa de viver,
é a hora certa de colher.



- José Eduardo Degrazia nasceu em Porto Alegre em 1951.

Publicou dezenas de artigos e crônicas em jonais e revistas do Brasil e do exterior.
Tem publicados os livros de poemas, Lavra permanente, Cidade submersa, A porta do sol, Piano arcano, e A urna Guarani; seus livros de contos são: O atleta recordista, A orelha do bugre, A terra sem males, e Os leões selvagens de Tanganica; recentemente saiu sua novela O reino de macambira.
Traduziu livros de Pablo Neruda, poetas latino-americanos e italianos.
Foi premiado em poesia, conto, teatro e tradução.

domingo, 29 de julho de 2007

OLIVEIRA SILVEIRA por Oliveira Ferreira da Silveira



OLIVEIRA SILVEIRA (Oliveira Ferreira da Silveira)

– Poeta negro brasileiro, nascido em 1941 na área rural de Rosário do Sul, Estado do Rio Grande do Sul. Filho de Felisberto Martins Silveira, branco brasileiro de pais uruguaios, e de Anair Ferreira da Silveira, negra brasileira de cor preta, de pai e mãe negros gaúchos. Graduado em Letras – Português e Francês com as respectivas Literaturas – pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS. Docente de português e literatura no ensino médio. Atividades jornalísticas. Ativista do Movimento Negro. Um dos criadores do Grupo Palmares, de Porto Alegre. Estudou a data e sugeriu a evocação do 20 de Novembro, lançada e implantada no Brasil pelo Grupo Palmares a contar de 1971, tornando-se Dia Nacional da Consciência Negra em 1978, denominação proposta pelo Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial, MNUCDR. Como escritor, publicou até 2005 dez títulos individuais de poesia – Pêlo escuro, Roteiro dos tantãs, Poema sobre Palmares, entre outros – e participou de antologias e coletâneas no país e no exterior: Cadernos negros, do grupo Quilombhoje, e A razão da chama, de Oswaldo de Camargo, em São Paulo-SP; Quilombo de Palavras, organização de Jônatas Conceição e Lindinalva Barbosa, em Salvador, na Bahia; Schwarze poesie/Poesia negra e Schwarze prosa/Prosa negra, organizadas por Moema Parente Augel e editadas na Alemanha por Édition diá em 1988 e 1993, com tradução de Johannes Augel; ou revista Callaloo volume 18, número 4, 1995, e volume 20, número 1 (estudo de Steven F. White), 1997, Virgínia, Estados Unidos. Na imprensa, publicou artigos, reportagens, e alguns contos e crônicas. Participou com artigos ou ensaios em obras coletivas, caso do ensaio Vinte de novembro: história e conteúdo, no livro Educação e Ações Afirmativas, organizado por Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva e Válter Roberto Silvério – Brasília: Ministério da Educação/Inep, 2002. Entre algumas distinções recebidas: menção honrosa da União Brasileira de Escritores, do Rio de Janeiro, pelo livro Banzo Saudade Negra em 1969; medalha cidade de Porto Alegre, concedida pelo Executivo Municipal em 1988; medalha Mérito Cruz e Sousa, da Comissão Estadual para Celebração do Centenário de Morte de Cruz e Sousa – Florianópolis-SC, 1998; Troféu Zumbi, obra de Américo Souza, concedido pela Associação Satélite-Prontidão, da comunidade negra de Porto Alegre, 1999; Comenda Resistência Civil Escrava Anastácia, da Rua do Perdão, evento cultural negro, Porto Alegre, 1999; e Tesouro Vivo Afro-brasileiro, homenagem do II Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros, realizado entre 25 e 29 de agosto de 2002 na Universidade Federal de São Carlos, UFSCAR, em São Carlos-SP – ato em 27 de agosto. Atuação em outros grupos a contar de meados da década 1970: Razão Negra, Tição, Semba Arte Negra, Associação Negra de Cultura. Integrante da Comissão Gaúcha de Folclore. Conselheiro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República – SEPPIR/PR, integrando, nesse órgão com status de ministério, o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial – CNPIR, órgão consultivo, período 2004-2006. Alguns exercícios em texto teatral paradidático (cenas, montagens simples) e música popularesca. Poemas musicados por Haroldo Masi, Wado Barcellos, Aírton Pimentel, Luiz Wagner, Marco de Farias, Paulinho Romeu, Flávio Oliveira, Vera Lopes-NinaFóla, Lessandro e, na Suécia, pela compositora Tebogo Monnakgotla.

VARAL VIRTUAL - OLIVEIRA SILVEIRA

MÃE-PRETA

Filho de branca babujou teu seio,
Negrinho berrou e berrou,
Sinhá nenhuma amamentou.
Por que não existe mãe-branca?
Por que não existe mãe-branca?
- Mãe branca?
Ora já se viu
É muito desaforo!

- “Roteiro dos Tantãs”



ENCONTREI MINHAS ORIGENS

Encontrei minhas origens
Em velhos arquivos
Livros
Encontrei
Em malditos objetos
Troncos e grilhetas
Encontrei minhas origens
No leste
No mar em imundos tumbeiros
Encontrei
Em doces palavras
Cantos
Em furiosos tambores
Ritos
Encontrei minhas origens
Na cor de minha pele
Nos lanhos de minha alma
Em mim
Em minha gente escura
Em meus heróis altivos
Encontrei
Encontrei-as enfim
Me encontrei

- em “Roteiro dos Tantãs”




CANTAR CHARQUEADA

Até eu cantei charqueada
Chorando a sorte do boi.
Mas descobri que meu canto
Tem raízes noutro campo:
Por trás das cancelas mudas,
Por trás das facas agudas.
Meu canto é uma carne escura
Charqueada a relho na nalga;
É figura seminua
Junto às gamelas de salga.
Carne escura exposta ao vento
Dos varais do saladeiro
Exposta viva ao sol quente
E suas facas carneadeiras.
Carne que se compra e vende
E de bem longe se importa
Se salga, seca e só perde
Quando já é carne morta
E meu canto é dessa carne
Que não é minha e me dói
Sangrando no sol da tarde
De um tempo que enfim se foi
Cabe a mim cantar charqueada
Chorando a sorte do boi?

- em “Pêlo Escuro”

VARAL VIRTUAL - SOLANO TRINDADE


Gravata Colorida

Quando eu tiver bastante pão
para meus filhos
para minha amada
pros meus amigos
e pros meus vizinhos
quando eu tiver
livros para ler
então eu comprarei
uma gravata colorida
larga
bonita
e darei um laço perfeito
e ficarei mostrando
a minha gravata colorida
a todos os que gostam
de gente engravatada...


Sou Negro


Sou negro
meus avós foram queimados
pelo sol da África
minh'alma recebeu o batismo dos tambores
atabaques, gongôs e agogôs

Contaram-me que meus avós
vieram de Loanda
como mercadoria de baixo preço
plantaram cana pro senhor de engenho novo
e fundaram o primeiro Maracatu
Depois meu avô brigou como um danado
nas terras de Zumbi
Era valente como quê
Na capoeira ou na faca
escreveu não leu
o pau comeu
Não foi um pai João
humilde e manso

Mesmo vovó
não foi de brincadeira
Na guerra dos Malês
ela se destacou

Na minh'alma ficou
o samba
o batuque
o bamboleio
e o desejo de libertação


Negra bonita

Negra bonita de vestido azul e branco
Sentada num banco de segunda de trem
Negra bonita o que é que você tem?
Com a cara tão triste não sorri pra ninguém?

Negra bonita
É seu amor que não veio
Quem sabe se ainda vem
Quem sabe perdeu o trem
Negra bonita não fique triste não
Se seu amor não vier
Quem sabe se outro vem
Quando se perde um amor
Logo se encontra cem
Você uma negra bonita
Logo encontra outro bem.

Quem sabe se eu sirvo
Para ser o seu amor
Salvo se você não gosta
De gente da sua cor
Mas se gosta eu sou o tal
Que não perde pra ninguém
Sou o tipo ideal
Pra quem ficou sem o bem...


Quem tá gemendo?

Quem tá gemendo,
Negro ou carro de boi?
Carro de boi geme quando quer,
Negro, não,
Negro geme porque apanha,
Apanha pra não gemer...

Gemido de negro é cantiga,
Gemido de negro é poema...

Gemem na minh'alma,
A alma do Congo,
Da Niger, da Guiné,
De toda África enfim...
A alma da América...
A alma Universal...

Quem tá gemendo,
negro ou carro de boi?


- Solano Trindade nasceu em Recife (PE), em 24 de julho de 1908. Uma das figuras mais expressivas e admiráveis da poesia negra no Brasil. Filho de Manuel Abílio Trindade, sapateiro e cômico de profissão, e de dona Emerenciana de Jesus, quituteira e operária. Desde muito cedo acompanhava o pai em suas danças de pastoril e bumba-meu-boi, e isto despertou no menino um forte interesse pelo folclore, o teatro e a cultura popular. Fez o curso propedêutico da Academia de Comércio de Recife, foi operário e funcionário público federal, no início de sua carreira (Serviço Nacional de Recrutamento). Publicou Poemas de uma vida simples, 1944, Seis tempos de poesia, 1958, e Cantares de um povo, 1963, entre outros. Solano Trindade morreu no Rio de Janeiro em 1974, aos 66 anos.

sábado, 28 de julho de 2007

VARAL VIRTUAL - LARA DE LEMOS

Carrego versos.
O coração chega tarde
ao cais deserto.


- Lara de Lemos



quinta-feira, 26 de julho de 2007

A poeta Graça Carpes, do Rio de Janeiro,
virá participar do PORTOPOESIA,
com a apresentação do seu
RITUAL POÉTICO EM SEIS MOVIMENTOS.

VARAL VIRTUAL - GRAÇA CARPES



Amuleto para atrair prosperidade


use duas metades de uma
casca de
noz
dentro coloque sete sementes de
girassol
descascadas um
pedaço de canela em pau e
sete cravos da
Índia
cole um raio de sol
um brilho de lua
um pouco do povo das
ruas
(
que é para exercitar
a
compaixão
)
e muita
alegria
carregue
consigo é
ótimo para
presentear
amigos


- Graça Carpes (RJ) –

VARAL VIRTUAL - LUIS DILL

crepúsculo:
dentes de sombra
mastigam o dia

- Luis Dill


VARAL VIRTUAL - RITA APOENA

Sobre as conchas da mão

(para F)

Toma o amor guardado entre as conchas da minha mão. Dentro delas ouvi as ondas/
quebrando-se em pedras e o espetáculo de um pequeno musgo nascido à beira de um raio/
de sol. Dentro delas, ouvi a terra aninhando sementes e plantas entrelaçando a ponta de/
suas raízes. Finas raízes tentando sustentar o mundo sob as placas de cimento. As placas
de/
cimento, de onde germinam as casas e crescem as pessoas, entrelaçando a ponta de seus/
braços e o mais fundo de seus corpos pela noite escura. Dentro delas, ouvi o mundo inteiro/
tentando ser par... e ouvi a ponta de tuas asas tocando minhas costas nuas, teu instrumento/
de cordas e suspiros profundos.

quarta-feira, 25 de julho de 2007


VARAL VIRTUAL - BRUNO BRUM PAIVA

A rótula



Quarenta e cinco noites à espera
num mar revolto de idéias e arestas
como se definida estivesse
como se oriunda parecesse,
a invulgar anatomia de teus pensamentos.


segunda-feira, 23 de julho de 2007

O QUE É POESIA? - Pequena aventura/colagem ao redor da questão

A criança que brinca e o poeta que faz um poema estão ambos na mesma idade mágica. – Mario Quintana

A poesia ajuda a respirar bem. \ Os poetas nos ajudarão a descobrir em nós uma alegria tão expressiva ao contemplar as coisas que às vezes viveremos, diante de um objeto próximo, o engrandecimento de nosso espaço íntimo. \ Todo conhecimento da intimidade das coisas é imediatamente um poema. – Gaston Bachelard.

A poesia é uma arte da linguagem, certas combinações de palavras podem produzir uma emoção que outras não produzem, e que denominamos poética. – Paul Valery

Descobri com a minha filha de nove anos que a poesia é a descoberta das coisas que nunca vi. . – Osvald de Andrade.

Cada palavra tem seu perfume, sua cor, sua alma. – Maiakovski.

Poesia é uma ou duas palavras e por trás uma imensa paisagem. – Ana Cristina César.

A infância é a poesia da vida. A poesia é a infância do mundo. – Boris Novak.

Uma palavra é um bracelete de encantamentos vocais. – Murray Schafer.

A poesia é o brinquedo das cismas. Os poetas foram crianças sós e pobres que adoravam se divertir com os próprios devaneios, substituindo com vantagens, para o desenvolvimento de sua criatividade, as programações estandardizadas dos jardins de infância e os discutíveis brinquedos pedagógicos, não obstante o primeiro impacto de sua engenhosidade. Entregue a si mesma, sua imaginação recebe e emite aladas mensagens, através do resplendor mágico que anima de gradações de arco-íris o suceder de seus dias. - Cyro Martins, em "Nota sobre Mario Quintana".

O poema é antes de tudo um inutensílio. – Manoel de Barros.

Se procurar bem você acaba encontrando. / Não a explicação (duvidosa) da vida, / Mas a poesia (inexplicável) da vida. – Carlos Drummond de Andrade

Água parada / sonhando na poça / não move moinhos / mas em compensação / mata a sede / dos passarinhos – Hélio Leite.

Hay que podar as metáforas. / hay que tirar o pé das estrofes. / hay que fazer a barba aos ritmos. / hay que tirar o sutiã da lírica. / hay que botar na bunda da poética. / hay que tirar o mofo das rimas. / hay que abrir a porta à loucura. — Sebastião Nunes

Talento e astúcia requerem / a perícia consumada / de falar sem dizer nada / quando não há nada a dizer... – Helena Kolody.

Uma parte de mim / é todo mundo. / Outra parte é ninguém: / fundo sem fundo. / Uma parte de mim / almoça e janta: / outra parte se espanta. / Traduzir uma parte / na outra parte, / que é uma questão / de vida ou morte, / será arte? – Ferreira Gullar.

Página que não / dá poema, / dá pena. – Alice Ruiz.

Cada palavra uma folha / no lugar certo / Uma flor de vez em quando / um ramo aberto / Um pássaro parecia / pousado e perto / Mas não: que ia e vinha / o verso pelo universo – - Cecília Meireles.

Acordei bemol / tudo estava sustenido / sol fazia / só não fazia sentido – Paulo Leminski.

A COISA – A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... E, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita. – Mario Quintana.

A poesia não é uma liberação da emoção, mas uma fuga da emoção; não é a expressão da personalidade, mas uma fuga da personalidade. Naturalmente, porém, apenas aqueles que têm personalidade e emoções sabem o que significa querer escapar dessas coisas. - T.S Elliot.

Todas as coisas têm o seu mistério, e a poesia é o mistério de todas as coisas. - Federico Garcia Lorca.

A poesia está guardada nas palavras. – Manoel de Barros.

Um grão de poesia basta para perfumar todo um século. - José Martí

Nós polimos as almas com a lixa do verso. – Maiakovski.

A poesia nos deve surpreender pelo seu delicado excesso e não porque é diferente. Os versos devem tocar nosso próximo, como se ele tivesse lembrado algo que nas noites dos tempos já conhecia em seu coração. A beleza de um poema não está na capacidade que ele tem de deixar o leitor contente. A poesia é sempre uma surpresa, capaz de nos tirar a respiração por alguns momentos. Ela deve permanecer em nossas vidas como o pôr do sol: Algo milagroso e natural ao mesmo tempo. – John Keats.

De tudo o que está escrito, eu amo somente aquilo que o homem escrever com seu próprio sangue. – Nietzsche.

Devemos andar sempre bêbados. Tudo se resume nisto: é a única solução. Para não sentires o tremendo fardo do Tempo que te despedaça os ombros e te verga para a terra, deves embriagar-te sem cessar. Mas com quê? Com vinho, com poesia ou com a virtude, a teu gosto. Mas embriaga-te. E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas duma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que gemeu, a tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são: "São horas de te embriagares!" Para não seres como os escravos martirizados do Tempo, embriaga-te, embriaga-te sem cessar! Com vinho, com poesia, ou com a virtude, a teu gosto. - Charles Baudelaire-1867.

Poesia é a infância reencontrada. – Charles Baudelaire-1867.

O poema é um ser de linguagem, o poeta faz linguagem, fazendo poema. Está sempre criando e recriando a linguagem... Está sempre criando o mundo... a linguagem é um ser vivo... É como uma pessoa que diz sempre que quer ser compreendida. Mas o que ela quer mesmo é ser amada. – Décio Pignatari

Não há poema em si, mas em mim ou em ti. – Otávio Paz

Eu não forneço nenhuma regra para que uma pessoa se torne poeta e escreva versos. E, em geral, tais regras não existem. Chama-se poeta justamente o homem que cria estas regras poéticas. - Maiakóvski

A alegria é a prova dos nove. – Osvald de Andrade.

O que faço nunca me interessa se não comportar alegria. – Maiakovski.

Um poeta é sempre união do vento e da água e deixa seu ritmo por onde passa. - Cecília Meireles.

...........................................................

PS.
Definir é matar, sugerir é criar. – Mallarmé

domingo, 22 de julho de 2007

VARAL VIRTUAL - ALEXANDRE BRITO

UMA VELA À NOSSA SENHORA DA BOA MORTE

a liberdade bastarda se infiltra onde
o céu encontra a terra
denuncia intensa atividade literária

essa idéia no papel derramada assim feito gelatina
nem parece uma idéia parece mais um
estorvo feito de cimento e osso

o sol miúdo sem bolor entesourado e mudo
desonera de rapapés e obrigações um aglomerado de
letras na biblioteca universal dos manuscritos

toda tradição se renova pela libertinagem
a boa nova vem pelo esquecimento intencional das regras
um livro que não descenda de nenhum outro é uma indecência

de sorte que o pecado original da invenção
mais que matar o padre e ir ao cinema
é declarar-se órfã pretender-se sem pai sem par

numa semana ensolarada de 22
um bebê de proveta aproveita a tarde à beira mar
no calçadão desenhado por Niemeyer




O JOGO DAS MIL IMPERFEIÇÕES

o jogo começa sem regras.
um feixe de luz ruga adentro trespassa a pele de um segundo.
um silêncio depois, o silêncio árido. o interstício.
um não-lugar um não sei onde. onde nada ou quase nada
desacontece.

o tempo sinuoso tem o passo lento dos camelos.
não faz evocações a deus algum.
ainda que o criador seja designado em árabe
por quatrocentos e noventa e nove nomes diferentes,
não faz diferença. ninguém é escutado nunca.

amigo dos corvos o espaço é um ser imberbe.
um passeio no deserto nunca é um passeio no deserto.
a sede não cessa com a morte. nem a morte com a salvação.
Bérberes, Beduínos, Tuaregues, bem o sabem, pois as
tempestades de areia não apagam o que com areia se escreve.

mil e uma noites de repouso numa tenda sob o céu à beira do Tigre,
quarenta banhos batismais à luz do dia nas águas do Jordão, não
recompõe o descrente fatigado. um espelho que não reflete, não é
um espelho. quando ninguém sabe dizer com quantos corpos se faz um
cementério, o mundo vertical vem a baixo. sangra em transe a noite possível.

alguém com pouco passado não tem o que dizer.
um poeta demora. ao contrário do profeta sabe a verdade provisória.
nasce sem saber. morre sem saber. e como quem nada sabe
esconde-se atrás das palavras. não para que encontrem-no,
mas às palavras.

tamareiras ensombram o caminho a Bagdá.
o vento milenar sopra sobre a cidade três vezes santa.
dois meninos, órfãos, de etnias distintas,
dois olhos de um mesmo rosto sob o sol
estudam álgebra entre formigas e abelhas.

um sonho encravado na carne é o mundo.

BOA NOTÍCIA BOA NOTÍCIA BOA

Abertas as inscrições para o seminário

A Linguagem dos Pássaros
(O Livro Negro dos Bardos)


Por Marco Celso Huffell Viola

De 7 a 28 de agosto de 2007, às terças, das 19 às 21h
Na Palavraria – Livraria-Café

VARAL VIRTUAL - JAIME MEDEIROS JR

abandono

quando pequeno
pintei em carvão uma pequena casa
esquecida e inabitada
senti toda a tristeza de quem se obrigou a deixá-la
e em meio ao corpo presente da pequena casa re-tratada
senti que toda a ausência que há no mundo
ali estava




pequenos pássaros nos fios de luz lembram
a rua da casa de minha tia em tempos
em que ainda se via o tesourinha

cortando as tristezas de quem via trás
o vidro do quarto de minhas primas mundo

em prima facie e nem se desconfia
do que viria e já se sente saudade



- jaime medeiros jr

sábado, 21 de julho de 2007

VARAL VIRTUAL - RONALDO MACHADO




exercício


no ritmo dos relógios assaltados

percorri os restos da cidade

que se armou de arames e cadeados

erguendo muros de indignidade.


vi pobres velhos endomingados

arrastando os olhos baços da idade

pelas carnes podres dos mercados

na agonia de uma última saudade.


três mulheres de olhos apagados

raspavam a ferrugem da castidade

com a nudez dos lábios escarnados

em ânsias incontidas de reciprocidade.


e na encardida manhã dos condenados

de permeio às areias da sujidade

rompi a digestão dos juízes saciados

mijando nas estátuas da Verdade.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

VARAL VIRTUAL - ANDRÉ ARIETA



: :

estática
parede
asma
mar reto
pernas levemente arqueadas
som do ar entrando áspero
antes daquele silêncio
maldizer das coisas
costas batendo na areia
rápido pra direita
corpo solto



- André Arieta
Poeta, roteirista, contista, diretor e produtor, ministra oficinas de roteiro, é frontman, guitarrista e baixista da banda “musical panorama”, produz roteiros para o “cinema 8ito, é curador do “flo” (festival do livre olhar). Ervstkras ilkv suster pral e locktz ivek dadada da da dadada dadadadada.
SAINDO DA GAVETA

depois de tirar dúvidas, mentiras, erotismo,
morte, religiosidade e inocência da gaveta,
o encontro de escritores, atores, etc e tal
apresenta:

SAINDO CRUELDADE DA GAVETA
23 de julho, 19hna Palavraria, Vasco da Gama, 165
Programação:
SIDNEI SCHNEIDER Uns Pezinhos
SILVANE ROMERO Um Peixe Chamado Edryl
PAULO RIBAS Desolação
VIVIANE JUGUERO Fausta
LETÍCIA SCHWARTZ Violência Doméstica
Temas de Agosto: NATUREZA e FOFOCA
Depois: TEXTOS RADIOFÔNICOS e TRADUÇÕES
E ainda: HUMOR e DRAMA.
Informações e inscrições dos textos:
saindodagaveta@hotmail.com
Confira o que já foi lido e debatido:
Parceria: SA Produções FM Cultura
SAINDO DA GAVETA
encontro de escritores, atores, etc e tal – acontece
duas vezes por mês, sempre às segundas, na Palavraria.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Recado da Telma Scherer

Queridos,
Aí vai um convite.

Neste sábado, vou estar apresentando a performance O Rumor da Casa
no espaço Palavraria, às 19h.
A apresentação vai integrar o Sarau do grupo Teia de Poesia.
Quem quiser mais informações sobre o grupo,
acessa www.teiadepoesia.is.dreaming.org.
Quem quiser saber da performance, clica no link www.rumordacasa.blogspot.com.
Lá tem fotos, textos, temperos.
O Palavraria fica na rua Vasco da Gama, 165 Bom Fim.
Fone: (051) 3268-4260. Sábado, dia 21.Às 19h.
A gente sai de lá e vai direto para o sarau do VAIA,
que vai ser no bar Outros 500, às 21h.

Poesia tomando os espaços da cidade.

Abraços,
da Telma.

VARAL VIRTUAL - RAFAEL TROMBETTA

POESIA

LÍRICA
VESTUAL
CAUSAL
CONFLITANTE
LIMITANTE
FRUTÍFERA
SORTIDA
INSTRUMENTO
Meio com o qual verdades são
destiladas ao calor do corações
imantados no cume dos princípios.
Regida pela boa luz que ilumina a natureza.
Sabedoria secular, milenar, universal.
Uma ressonância que ecoa da alma.
O bem, o belo e o justo.
Harmonizam-se com a poesia.
Lúdica, inventiva, atemporal.
Consciente dos fatos.
Vislumbrada pelos acontecimentos.
Coagida pelas leis.
Atacada pelas circunstâncias.
Mantém-se de pé.
Com a guarda em riste.
Abrindo vias para o conhecimento.
Uma forma de contemplação.
Um saudosismo as tradições.
Um elo com o belo.
Um meio para o bem.
Uma forma de justiça.
Um caminho para a sabedoria.
Para sempre, uma arte para a mente.


- Rafael Trombetta,
do grupo Saindo da Gaveta

terça-feira, 17 de julho de 2007


VARAL VIRTUAL - ELISA CARVALHO

PORTO POESIA

Minha nau,
não seguiu a de Cabral
foi adiante
numa terra que não me foi prometida
mas que valia a pena
a estrangeira investida.
Ofereci colares,
troquei meus cocares
depois de uma semana
escrevi ao Rei
se ele leu, eu não sei
mas o que sigo contando,
quando acaba as tempestades
e reina a calmaria
é que continuo navegante de palavras
em meu PortoPoesia.


- Elisa Carvalho
http://www.cenasetemas.blogspot.com/

segunda-feira, 16 de julho de 2007



desenho de James Sebor


VARAL VIRTUAL - SIDNEI SCHNEIDER

DESCANSO

acocado na cascata de cascalho,
o talhador de paralelepípedos,
quieto como um cigarro.

de pedra as vestes
e de pó a pele escura,
quase não se o vê
entregue à paisagem.

acostumado ao plique-plique,
o vale de cipós emudece.

como o rival de dinamite,
o silêncio é insuportável.

senha para o recomeço.


RECOMEÇO

talho a talho vem bulindo
com o osso do minério.

corta em linha o ferro
da pedra, aplacando nos dedos
a carne da montanha.

desesperança não o adoece.

tem paciência de décadas
para encaixar o que produz
no quebra-cabeças da rua.

a montanha é a eternidade.

- Sidnei Schneider, 2007

VARAL VIRTUAL - ZÉ EVANDRO

O Poeta encontra a Poesia

Encontra a poesia o poeta
Que parecia que fazia poesia
Fazia o poeta poesia
Ou a poesia fazia que aparecia

O Poeta
encontra
A Poesia

Agora faz poesia o poeta
E põe azia na poesia que fazia!
E faz o que fazia quando encontrou a poesia
Então parecia que aparecia poesia
Na azia do poeta

- Zé Evandro
faz parte do grupo Serrote Preto

quarta-feira, 11 de julho de 2007

intervenção em pintura de Iman Malek


VARAL POESIA - LUIZ PAULO VASCONCELLOS

Andante com fuoco

Por exemplo. Uma das coisas de que mais gosto
é de ópera. Sofrimento imerecido, vozes sublimes e

maus atores. Quem vai entender a alma humana?



Identificação

Eu sou a cópia.
O original perdeu-se.



A dor

A palavra dói
enquanto constrói
o poema.



- Luiz Paulo Vasconcellos
Comendo pelas beiradas, Tambor Editora, 2006.

sexta-feira, 6 de julho de 2007


VARAL POESIA - ATHAUALPA YUPANQUI

Um poema de Ataualpa Yupanqui
(versão de memória – falta uma estrofe – de E. San Martin, de Nova York)

Tu pensas que te distingues
porque te dizem Poeta
e vives num mundo a parte
muito além destas estrelas

De tanto olhar à lua
nada mais consegues ver
viraste um pobre cego
que não sabe aonde vai

....................................

Venha olhar os mineiros,
os homens nos trigais
e canta ali os que lutam
por um pedaço de pão.

quinta-feira, 5 de julho de 2007


VARAL POESIA - ISAAC STAROSTA

LEMBRANDO MAYSA

- Isaac Starosta

Em Maysa cantando
Acima de tudo
O desespero é calmo

A gente ama
A gente briga
E sai brincando
De ciranda
Numa praça
Da infância

Em Maysa cantando
O desgosto é dengoso
Faz beicinho e passa
Como uma travessura

Maysa segue cantando
Quebra o protocolo
Chora rindo
Num leve tremor
Que vai direto dos lábios
Até a alma dos ouvintes

Maysa vai adiante
Enfrenta o mundo mau
Um mundo pouco-se-me-dá
Pra quem vive em constante
Estado de inspiração

Maysa parou de cantar
Voz trêmula ainda vibrando
E a sala continua tonta
Preguiçosamente submersa
Na tela da TV

segunda-feira, 2 de julho de 2007


VARAL POESIA - MARCIA MAIA

3x4

mais que a lua
em vésperas de cheia
a bruma ilumina a noite
num absurdo e delicioso paradoxo

e eu
nessa quase madrugada
de um inverno ainda incipiente
mínima a fotografo quando escrevo



crash

o ruído de vidro partido
inunda a madrugada

de estilhaços rubros



ofício

um zumbido de sentenças pequeninas
arremedo de palavras quase sílabas
que entre letras esvoaçam suas asas
no alvoroço de buscar o que dizer

entre tédio e rebuliço um sentimento
entrehabita onde o silêncio faz-se círculo
e o percorre — em cada passo o mesmo passo
volta a volta em vã vigília busca a voz

que o exprima que o decifre que alardeie
que desteça a sua teia em mel e ácido
que corrompa a placidez pura do ar

e alça vôo por entre as asas mariposas
que em palavras letras versos voam ávidas
a queimar voz e sentir na mesma luz


- marcia maia
Pernambucana do Recife, médica. Teve seus poemas primeiramente publicados na Revista Poesia Sempre nº15, da Fundação Biblioteca Nacional, em novembro de 2001. Em 2002, seu livro Espelhos foi premiado no 3º Concurso Blocos de Poesia. Participou da Antologia Poetrix (2002), da Antologia Escritas (2004), do Livro da Tribo (2004, 2005 e 2007) , da antologia Poesia do Nascer (2005), editada em Lisboa, Portugal, e ainda da antologia Pernambuco, Terra da Poesia(2005). Publicou quatro livros: Espelhos(2003), um tolo desejo de azul (2003), Olhares/Miradas( 2004) e em queda livre (2005).
Edita os blogues:
tábua de marés (
http://www.tabuademares.blogger.com.br)
mudança de ventos(
http://www.mudancadeventos.blogger.com.br )

quinta-feira, 28 de junho de 2007

VARAL POESIA - MARCO CELSO HUFFELL VIOLA

P O E M A S S E M P A L A V R A S

Retiro
o teto das palavras,
o assoalho, qualquer apoio,
assôo-as pelo nariz,
frito-as como lingüiça
deixo-as feias, lânguidas
enfermiças.
Com descaso por sua aparência,
esfrego nelas verniz, depois raspo-as com um caco de telha,
risco como um risco de giz com um guincho na parede,
tiro-lhes o brilho,
porque mais feio é quem me diz
ou quem não me quis,
gosto de nelas mergulhar críticos, barbantes e rinocerontes
são eles que tornam o mundo redondo
e fácil de entender.
Falar, escrever, pode ser tão bonito
quanto foder,
basta saber dizer
ou saber fazer.

*do livro Viver a Paixão de Cada Passo Ed. Alegoria

quarta-feira, 27 de junho de 2007

VARAL VIRTUAL - PAULO HECKER FILHO

EU DIRIA PÁRA

Se fosse possível,
eu diria pára.
Mas nada detém o mundo.
Nem um coração que pára.



QUERO MORRER LENTAMENTE


Quero morrer lentamente
Como enfim se completa o silêncio após a música
Como acabam os dias mudamente aterrados
Como somem as ondas num afago final à praia
inconquistável
Quero morrer lentamente
Com o secreto adeus do beijo que mal roça nos lábios
Com a austeridade das rosas até a corrupção
Com este tremor do nada que em certos instantes corre
pela espinha da Via-Láctea
Quero morrer lentamente
Como se apaga o eco nas montanhas
Como as nuvens se esgarçam e se extinguem
Como o velho cavalo já não se levanta
Quero um silêncio maior que o da morte
O silêncio do fundo do mar
Do coração da terra
Do espaço entre os astros
Quero afundar no silêncio
No silêncio
No silêncio
No silêncio.



- em "Perder a vida", 1985, ed.Tchê!
fotopoema: Pirata

segunda-feira, 25 de junho de 2007

VARAL VIRTUAL - ALBERTO CRUSIUS

PIRATAS, ARGOS E NARCISO


Alvorecer

Célere, a galera sulca.
Hierático, o fato: é fenícia. E pirata.


Argos, com direito à citação.

Esbarra com fragor marítimo de espoucada espuma, no sonoro nome de Argos, a idéia de que seja arbitrário o signo. Era Argos, erga omnes, navio de Jasão e patético, oportuno, cão de Ulisses. Ir e retorno, num só nome, reunidos.


Narciso sem plástica

Sou meu rosto.
São as rugas o derradeiro rastro
dos passados anos em sulco semeados.

Lenta é a colheita, macias as sombras.
Também sabe a mosto
o suave sol posto.

VARAL POESIA - SURIEL RIBEIRO

fotopoema: Pirata
O meu verso é água pura
Correndo pelo lagedo
É semente de arvoredo
Brotando na terra dura
É fruta doce madura
No pomar da poesia
É o sopro da ventania
Varrendo a terra escarpada
É noite toda estrelada
E o Sol no raiar do dia
VENHA PARTICIPAR DO SARAU
DO GRUPO RAIZ DA POESIA,

COM GENTE ANIMADA, UM BAR BACANA
E POESIA, MUITA POESIA.


Adriana Kless
Ernesto Braga
Jorge Linhaça
Mara Inez Moraes
Marco Araujo
Soninha Ferraresi Porto


Dia: 29 de junho de 2007
Hora: 20:30 h
Local: Pub Botti
Felipe Nery, nº. 81 Auxiliadora - Porto Alegre/RS
Couvert Artístico: R$5,00
Solicitamos confirmar presença
raizdapoesia@gmail.com

Para ser poeta
basta uma caneta
um papel
um bar
uma rua
uma lua
dias e noites

Para fazer poesia
basta um amor
seja de que jeito for
uma janela para a vida
e um espírito que possa voar

sexta-feira, 22 de junho de 2007

VARAL POESIA - DIEGO CASTILLHOS PETRARCA



NO MEIO DA CASA

Abrir a geladeira
pra justificar o salto da cama
desde o início
até a última fatia da noite

a insônia puxa muita conversa
e tumultua o quarto com seu
bate-estaca
palmas
britadeira
arrastar de mesa
ruído de motor
orquestra de latidos
histeria de pneus

distrai o sono
eletrizado de barulhos
que some
tropeçando nos volumes máximos
e só reaparece
de manhã cedo
surdo
e me resgata
do meio da casa
de volta pra cama

quinta-feira, 14 de junho de 2007

VARAL VIRTUAL - LORENA POEMA




receitas do cerrado


I. saudade

derrama-se
o chá da xí­cara
até o colo queimar.



II. suor


molhar a ponta da lí­ngua
resbalar vestí­gios
emoldurar umbigos.



III. calmante


aos prantos,
corta-se a fúria
em copos de leite.


- Lorena Poema
http://lorena.poema.zip.net/


Chama-se poesia tudo aquilo
Que fecha a porta aos imbecis
- Aldo Pellegrini -


A poesia tem uma porta hermeticamente fechada para os imbecis, aberta de par em par para os inocentes. Não é uma porta fechada com chave ou ferrolho, mas sua estrutura é tal que, por mais esforço que façam os imbecis, não conseguem abri-la, enquanto cede à simples presença dos inocentes. Não há nada mais oposto à imbecilidade que a inocência. A característica do imbecil é sua aspiração sistemática a certa ordem de poder. O inocente, ao contrário. Nega-se a exercer o poder porque possui todos.
Obviamente, o povo é o possuidor potencial da suprema aptidão poética: a inocência. E no povo, aqueles que sentem a coerção do poder como uma dor. O inocente, conscientemente, ou não, move-se num mundo no qual o único valor é dado pelo exercício do poder.
Os imbecis buscam o poder em qualquer forma de autoridade: o dinheiro em primeiro lugar e toda a estrutura do Estado, desde o poder dos governantes até o microscópico, porém corrosivo e sinistro poder dos burocratas, desde o poder da igreja até o poder que dão as leis. Todo esse acúmulo de poder está organizado contra a poesia.
Como a poesia significa liberdade, significa afirmação do homem autêntico, do homem que tenta realizar-se indubitavelmente, ela tem certo prestígio ante os imbecis. No mundo falsificado e artificial que constroem, os imbecis precisam de artigos de luxo, cortinados, bibelôs, jóias e algo assim como a poesia. Nessa poesia que eles usam, a palavra e a imagem convertem-se em elementos decorativos e, desse modo, seu poder de incandescência é destruído. Assim é criada a chamada poesia oficial, poesia de lantejoulas, poesia que soa oca.
A poesia nada mais é do que essa violenta necessidade de afirmar seu ser que impulsiona o homem. Opõe-se à vontade de não ser que guia as multidões domesticadas e se opõe à vontade de ser nos outros que se manifesta em quem exerce o poder.
Os imbecis vivem num mundo artificial e falso: baseados no poder que se pode exercer sobre os outros, negam a rotunda realidade do humano, a qual substituem por esquemas ocos. O mundo do poder é um mundo vazio de sentido, fora da realidade. O poeta busca na palavra não um modo de expressar-se, mas um modo de participar da própria realidade. Recorre à palavra, porém busca nela seu valor originário, a magia do momento de criação do verbo, momento em que não era um signo, mas parte da própria realidade. Mediante o verbo, o poeta não expressa a realidade, mas participa dela.
A porta da poesia não tem chave ou ferrolho: defende-se por sua qualidade de incandescência. Somente os inocentes, que tem o hábito do fogo purificador, que tem dedos ardentes, podem abrir essa porta e por ela penetrar na realidade.
A poesia pretende cumprir a tarefa de que este mundo não seja habitável somente para os imbecis.


Texto de Aldo Pellegrini, poeta argentino, do livro “Surrealismo Novo Mundo”, ed. da UFRGS – traduzido do espanhol por Lara Oleques de Almeida.

terça-feira, 12 de junho de 2007

VARAL VIRTUAL - LAU SIQUEIRA



aos predadores
da utopia



dentro de mim
morreram muitos tigres

os que ficaram
no entanto
são livres


Sou gaúcho de Jaguarão, moro há 22 anos em João Pessoa.
Mando meu abraço e um poema para esse Porto de tanta Poesia.

- Lau Siqueira

PortoPoesia, Raul Bopp e a cultura literária

- E. San Martin:

O evento ou feira PORTOPOESIA representa esforço expressivo para aglutinação e divulgação da produção poética do Rio grande do Sul contemporâneo. Com ele, espera-se que dezenas de poetas leiam ou apresentem seus textos ao vivo, disponham seus livros, etc... O evento também vai homenagear alguns poetas gaúchos mais antigos, entre os quais o clássico do modernismo Raul Bopp (1898-1984).

Uma iniciativa como essa vale, sobretudo, por tornar acessível aos interessados esta produção verbal considerada poesia por alguns e, por outros, uma verborréia narcisista e egocêntrica de pouco ou nenhum interesse lingüístico ou relevância cultural (exceto no sentido antropológico). A platéia e o tempo dirão quem está certo.

PortoPoesia ocorre num momento de grande anemia na cultura literária brasileira. Por mais que os otimistas digam que produção há, mas falta divulgação, investimento editorial – a realidade é que os poucos poetas vivos de valor reconhecido pela técnica e expressividade são antigos, publicados e consagrados quando ainda havia espaço para a cultura literária nos veículos de comunicação social do país.

Esta anemia intelectual na nossa era das celebridades sem sentido, por outro lado, integra um processo histórico endêmico desta “enjeitada na cultura nacional”, a poesia.

Só para registro, segue uma citação de carta enviada por Raul Bopp de Mombaça a Jorge Amado em julho de 1932, onde o autor justifica sua relutância em publicar ou divulgar seus poemas:

“...acho que a época não tá pra versos. Primeiro, pela discordância com o ambiente. Segundo, pela super produção da mercadoria. Terceiro, porque os consumidores preferem aquele lirismo bojudo do poeta Schmidt (Augusto Frederico Schmidt, o poeta da culpa cristã), ou então o verso dengue ‘recamier’ do poeta Paschoal (Paschoal Carlos Magno), o jovem especial para a alta ‘societé’”.

A carta ainda ironiza a repercussão de “Cobra Norato” (publicada em 1931 financiada por amigos). Sobre o descaso geral na acolhida ao poema hoje integrante do “cânon” modernista, Bopp diz:

“No ajuste de contas, extraindo a raiz quadrada de uns elogiozinhos de rua, o livro foi um fracasso. Talvez o recorde do ano. As livrarias venderam um exemplar. Eu só queria saber quem foi esta besta. Talvez, por engano, uma encomenda do Instituto Butantã de São Paulo”.


Originalmente publicado em NOVAKLAXON1.blogspot.com

segunda-feira, 11 de junho de 2007

VARAL VIRTUAL - DILAN CAMARGO


CHAMEM O POETA

Está torta a reta?

Chamem o poeta.
Não se alcança a meta?
Chamam o poeta.
Querem desvirtuar o asteca?
Chamem o poeta.
A multidão se inquieta?
Chamem o poeta.
A platéia é seleta?
Chamem o poeta.
Algum mal nos afeta?
Chamem o poeta.
O Governo decreta?
Chamem o poeta.
A conta é secreta?
Chamem o poeta.
O tubo não excreta?
Chamem o poeta.
A dama é discreta?
Chamem o poeta.
O ator não interpreta?
Chamem o poeta.
O corrupto se locupleta?
Chamem o poeta.
Não adiantou a dieta?
Chamem o poeta.
Ninguém segue a seta?
Chamem o poeta.
O avô renega a neta?
Chamem o poeta.
O menino caiu da bicicleta?
Chamem o poeta.
Conflito burguês X proleta?
Chamem o poeta.
O lixeiro não faz coleta?
Chamem o poeta.
Não sai a eleição direta?
Chamem o poeta.
Chamem o poeta.
Se um for pouco
chamem um enxame.
Não importa que mais chamem
do que amem o poeta.
Chamem o poeta!
Chamem o poeta!



MULHER (em Sopro nos Poros . Ed. Tchê! / 1985 )

Não chore na frente de um homem.

Não adore a fronte de um homem.
Só atenda, pelo próprio nome.

O que lhe negar, dele tome.
Não baixe a cabeça, na frente de um homem.

De frente, com fome, coma esse homem.
Devore-o, com a força de seu abdômen.

Não aceite lugar atrás de um homem.
Nunca esqueça, as sombras se somem.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

VARAL POESIA - JOSÉ PAULO PAES




CONVITE
- José Paulo Paes

Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião.
Só que
bola, papagaio, pião
de tanto brincar
se gastam.

As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas mais novas ficam.

Como a água do rio
que é sempre água nova.

Como cada dia
que é sempre um novo dia.

Vamos brincar de poesia?




Nota biográfica:

José Paulo Paes nasceu em Taquaritinga SP, em 1926. Estudou química industrial em Curitiba, onde iniciou sua atividade literária colaborando na revista Joaquim, dirigida por Dalton Trevisan. De volta a São Paulo trabalhou em um laboratório farmacêutico e numa editora. Desde de 1948 escreve com regularidade para jornais e periódicos literários. Toda sua obra poética foi reunida, em 1986, sob o título Um por todos. No terreno da tradução verteu do inglês , do francês, do italiano, do espanhol, do alemão e do grego moderno mais de uma centena de livros. Em 1987 dirigiu uma oficina de tradução de poesia na UNICAMP. Faleceu no dia 09.10.1998.

VARAL POESIA - LUIS FERNANDO VERISSSIMO


LIMPEZA PÚBLICA
- Luís Fernando Veríssimo

O poeta é um reciclador
Das palavras de todo dia
Do verbo de toda hora
Que se usa e bota fora
Separa o descartável
Do reaproveitável
E o bonito da bobagem.
A poesia
É o lixo limpo
Da linguagem.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

VARAL VIRTUAL - RONALD AUGUSTO

no assoalho duro

Ronald Augusto*


me aproximo de tombar em sono suave em bairros os cachorros latem
digo: cantam de galo no terreiro
à tarde esperam sobre esporas altaneiros
os galos a que me referi acima
ciscam em consideração às galinhas
também não sobra muito para o caderno
hão passado verão outono inverno
e muito está aqui enfeixado
e tudo mais que passou por apagado
já esse posfácio não sai fácil
feito os outros de bem outro hábito
escrever sem prévio rascunho
assim levado a reboque do próprio punho
não me é um bem como antes fora
faço papel de tolo jogral fora de hora
querendo levar a cabo missão sem solda e soldo
água em cuja superfície áporos a rodo
enquanto mais ao fundo lodo-areia
no qual não há que pise sequer de meias
e rimas oficiando o que já é um rito
acabar cuaderno escrevendo esquisito
felizmente minha fabulação manca
estou com travas na fala trancas
não há indulto possível para poeta
que não se toca ou diz não à caixa-preta
que melhor memória manuseável externa
pode haver para se ler os destroços da cena?
o pânico da audiência minutos segundos antes
o vômito no saco da crítica no chão restante
barra o sono essa conversa errorosa
melhor num outro dia dar sítio à prosa


*do livro do mesmo nome que pode ser encontrado na Palavraria

terça-feira, 5 de junho de 2007

FAÇA VALER, VÁ LER

Sobre Raul Bopp:

http://www.antropofagia.com.br/antropofagia/pt/artigos_01.html

http://regisbonvicino.com.br/textcrit30.htm

http://www.cultura.gov.br/noticias/na_midia/index.php?p=25339&more=1&c=1&pb=1

RAUL BOPP

Raul Bopp (Vila Pinhal RS, 1898 - Rio de Janeiro RJ, 1984) fundou, por volta de 1917, os seminários O Lutador e Mignon, em Tupanciretã RS. Cursou Direito, entre 1918 e 1925, em Porto Alegre RS, Recife PE, Belém PA e Rio de Janeiro RJ; cada ano letivo foi freqüentado em uma capital. Percorreu longamente a Amazônia, na década de 1920. Em 1922 participou na Semana de Arte Moderna, em São Paulo SP. Dois anos depois, passou a integrar os movimentos Pau-Brasil e Antropofágico, com Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e Antônio Alcântara Machado. Em 1931 lançou Cobra Norato, seu primeiro livro de poesia e um dos mais importantes do Modernismo. Foi jornalista e diplomata; entre 1942 e 1973 viveu em Los Angeles (EUA), Berna (Suíça), Rio de Janeiro RJ, Brasília DF e Porto Alegre RS. No período, publicou os livros em prosa América, Notas de um Caderno Sobre o Itamaraty, Movimentos Modernistas no Brasil: 1922/1928, Memórias de um Embaixador, Bopp Passado a Limpo por Ele Mesmo, Vida e Morte da Antropofagia e Longitudes, entre outros. Fazem parte de sua obra poética Urucungo (1932), Poesias (1947), Mironga e Outros Poemas (1978), entre outros. Raul Bopp é um dos nomes fundamentais da primeira geração do Modernismo. Murilo Mendes afirmou que "Cobra Norato é o documento capital dessa ruptura de um poeta que, tendo viajado tanto e conhecido culturas tão diferentes, permaneceu tipicamente brasileiro e levou a termo, em pleno século XX, o que os outros descobridores do Brasil tinham tentado em vão desde o início do século XVII. Na linguagem, Bopp, forjador de um léxico saboroso, fundiu sabiamente vozes indígenas e africanas, alterando a sintaxe, sem cair nos exageros e preciosismos de Mário de Andrade."
Extrato da obra Cobra Norato

Um dia/ ainda eu hei de morar nas terras do sem-fim.// Vou andando, caminhando, caminhando;/ me misturo rio ventre do mato, mordendo raízes./ Depois/ faço puçanga de flor de tajá de lagoa/ e mando chamar a Cobra Norato.// — Quero contar-te uma história:/ Vamos passear naquelas ilhas decotadas?/ Faz de conta que há luar.// A noite chega mansinho./ Estrelas conversam em voz baixa.// O mato já se vestiu./ Brinco então de amarrar uma fita no pescoço/ e estrangulo a cobra.// Agora, sim,/ me enfio nessa pele de seda elástica/ e saio a correr mundo:// Vou visitar a rainha Luzia./ Quero me casar com sua filha.// — Então você tem que apagar os olhos primeiro./ O sono desceu devagar pelas pálpebras pesadas./ Um chão de lama rouba a força dos meus passos.// II. Começa agora a floresta cifrada...
“E com isso volto e insisto sobre a Semana de Arte Moderna. O Brasil tem alguma coisa incorporada ao melhor que o mundo fez nos laboratórios da literatura contemporânea. Tem Cobra Norato de Raul Bopp.”
(Oswald de Andrade, Hora H)

“O velho livro de versos modernistas, aparentemente tão datados, ressurge hoje em toda a sua novidade, e o amadurecimento do poeta mais o apurou. E é possivelmente o mais brasileiro de todos os livros de poemas brasileiros, escritos em qualquer tempo.”
(Carlos Drummond de Andrade, Raul Bopp, Cuidados de Arte)

segunda-feira, 4 de junho de 2007

VARAL VIRTUAL - EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

Emanuel Medeiros Vieira - de Brasília

"Se não for pela poesia, como crer na eternidade, escreveu alguém. Desta Capital da República, queria saudar o projeto "Porto Poesia", que incentiva a criação de novos e antigos valores. É uma proposta ecumênica e generosa, num tempo de maniqueísmo, sectarismo e onipotência. A repercussão da idéia chega a me comover: um poeta estrangeiro quer participar. Então, com essa "força", essa irradiação, com as consciências tão afinadas, a idéia só pode prosperar. Essa é a riqueza da poesia. Não contábil. Seu valor é, imaterial. E por isso mesmo, eterno. Memo Giardinelli fez a indagação: "Por-que se escreve?" E ele mesmo responde: "Porque só a literatura e a a arte podem redimir o gênero humano - com mais tendência à mediocridade do que ao talento." Só repito o que muitos sabem: não há povos sem poesia e é possível verificar sua importância em todas as sociedades, apesar de quase sempre seu contéúdo não comungar com os valores dominantes. Não queria deixar de lembrar o que disse Octávio Paz: "A ação do poeta só pode ser exercida sobre indivíduos e grupos. Talvez residam nessa limitação sua eficácia presente e sua futura fecundidade."


ESTATUTO (o poema do poeta Emanuel)

Esse estatuto de miséria não é nosso,
e não colhemos mais flores,
no começo de manhãs orvalhadas.
Aspirava:
solar manhã saltando desta página para restaurá-la.

Mas por que o poema resiste?
Singra a eternidade, despista a morte:
não é mercantil seu estatuto.

domingo, 3 de junho de 2007

VARAL VIRTUAL - ALINE ISAIA

(fotopoema: Pirata)


Tentativas

Aline Isaia (do livro Para Tarsila)

São tuas as minhas palavras,
as mãos coloridas,
as paisagens que guardo e
as que virão.
Sei que estás em algum lugar,
Quieto demais para me encontrar.

Dos teus olhos, leio o brilho,
Decorei a coreografia dos teus passos,
E, tua voz anda sussurrando pelos meus ouvidos
nas noites que sou só.
Só de espera,
não de solidão.
Porque não tenho tempo para a amargura.
Já me vejo nos teus rastros
e nosso amanhã,
enquanto troco passos de coração nômade
Entre sós, coragem e esconderijos.
Amor se encontra errando.

VARAL VIRTUAL - NEI DUCLÓS


Nei Duclós, manda de Florianópolis

NO MEIO DA RUA - Nei Duclós

A casa do passageiro
é o meio da rua
por isso esse ar de loucura

por isso esse andar
de banda. essa voz
que inflama. esse olhar
de lua

por isso essa dor que
não recua

A cama do passageiro
é o amor de campanha:
armar o dia
manter o fogo
cobrir a fuga

por isso esse chamado
quando passa adiante
essa vontade
que alguém lhe acompanhe

O medo do passageiro
é sentir-se um estranho
por isso sorri
enquanto morre de fome

(ele nasceu, teve um sonho
mas o caminho, longo demais
lhe rouba o sangue)

No meio da rua
o coração do passageiro
bate o o bumbo

sexta-feira, 1 de junho de 2007

From: "Rafael Reinehr" <superjazz7@terra.com.br>
Sent: Friday, June 01, 2007 9:36 PM
Subject: Porto Poesia
Portopoetas, Estou dentro! Preciso pensar em como, em um pequeno intervalo de tempo, apresentar alguns novos poetas, falar de poesia dadaísta, Maiakowsky, Leminski, poesia em quadrinhos, minicontos poéticos, recitar algumas de minhas poesias tudo isso com uma trilha sonora suave (mas bem planejada) e algumas imagens pipocando ao fundo. Onde assino? Er... Quer dizer, para onde mando a ficha de inscrição? Ganho ticket refeição e vale-transporte?Rafael Reinehr
http://armazemdeideias.org
http://reinehr.org
http://simplicissimo.com.br
http://sillencio.org
http://clinicamedspa.com
From: Márcio-André
Sent: Thursday, May 31, 2007 8:08 PM
Subject: Re: PORTOPOESIAPORTOPOESIAPORTOPOESIA
Caro Marcos, primeiramente, meus parabens por esta iniciativa (desculpe se escrevo sem acento, mas em londres computadores nao sabem o que e isso).

Gostaria muito de participar deste grandioso evento, mas antes precisava saber se ha subsidios para nos, visto que viajar e ter uma estadia em hotel e um pouco caro, pricipalmente para poetas. 'E minha unica questao na verdade, pois topo dar palestra, recitar e fazer um woprkshop, por puro prazer. Um abraço.

Márcio-André--
www.marcioandre.com
www.confrariadovento.com
http://www.confrariadoventoeditora.com
http://arranjos.confrariadovento.com
http://www.revista.agulha.nom.br/marcioandre.html
From: Thelmo Lins
Sent: Friday, June 01, 2007 9:22 AM
Subject: Re: PORTOPOESIAPORTOPOESIAPORTOPOESIA
Prezado Marco Celso Viola,

Agradeço a gentileza de me enviar a inscrição para o Porto Poesia. Apesar de escrever poesia, e até irei publicar meu primeiro livro em outubro de 2007, meu trabalho atual é a música. Lancei dois CDs de poemas musicados. Um chama-se "Thelmo Lins Canta Drummond" (2003), com os poemas de Drummond musicados por grandes compositores brasileiros. E o mais recente é "Cânticos", com os poemas de Cecília Meireles musicados por Fatima Guedes. Este disco conta com a parceria do cantor Wagner Cosse.
Você pode conhecer melhor os trabalhos no site http://www.thelmolins.com.br/ e http://www.wagnercosse.com.br/.
Por isso, se neste evento tiver espaço para a música, sugiro a contratação de nosso espetáculo "Cânticos" (veja material anexo, em formato pdf.). É um trabalho muito bonito, que casa música, poesia e teatro, num espetáculo emocionante.

Caso se interesse pelo trabalho, podemos enviar pelo correio o material impresso com o CD. Basta informar o endereço completo.

Estou à disposição para mais informações.

Atenciosamente,

Thelmo Lins
thelmolins@uaivip.com.brhttp://www.thelmolins.com.br/(31) 9991-6653
From: Ronald Augusto da Costa da Costa
To: mar.rio@terra.com.br ; jdegrazia@bol.com.br ; kyronarq@terra.com.br ; editoraoffice@yahoo.com.br
Sent: Friday, June 01, 2007 10:10 AM
Subject: RE: VARAL VIRTUAL
pessoal, ando cheio de coisas para fazer e não tenho dado conta de todas. oficinas, shows dos poETs e agora dias 13 e 14 de junho um show solo deste que vos escreve, e, tocar o ganha pão da minha micro de pães e biscoitos (o mario conhece), etc, etc, me fazem puxar o freio. peço um tempo pra me organizar e depois conversamos, ok! mas o movimento está crescendo. legal essa do poeta padin.
abraços!
ronald

quinta-feira, 31 de maio de 2007

VARAL VIRTUAL - CLAUKY SABA


pois é um prazer para mim!
aí vai um epitáfio estiloso:

eu volto

quando chegar minha hora
quero morrer na aurora
sob às luzes da ribalta

vou feliz...
no fechar das cortinas.
o palco é a minha sina!

qualquer dia...
eu volto pro bis.

Poetabraços



- Clauky Saba - http://www.arteemtodaparte.blogspot.com/

lenha na fogueira


----- Original Message -----
To: José Degrazia ; DEBORAH ; Marco Celso H.Viola ; Ronald Augusto
Sent: Thursday, May 31, 2007 6:47 PM
Subject: Fw: PORTOPOESIAPORTOPOESIAPORTOPOESIA
mais alguns retornos... eu tou avisando os poetas que por enquanto não há verbas, só verbos, mas por encanto pode ser que haja alguma coisa!
Marco, vou tentar ir no recital da palavraria amanhã, seria legal e estratégico nos nos reunirmos lá... tricotar mais algum fuxico! quem puder, poderá.
esse recado do clemente padin eu tou pensando em colocar no blog.
abraço,
mario pirata


From: Ivete Brandalise
Sent: Thursday, May 31, 2007 5:48 PM
Subject: Re: PORTOPOESIAPORTOPOESIAPORTOPOESIA
Mário
Licença para meter a colher. Verifica na Prefeitura se a data não coincide com a do Porto Alegre em Cena. Ou foi intencional?
Abraços
Ivette


From: Ursula Brando
Sent: Thursday, May 31, 2007 3:52 PM
Subject: Re: PORTOPOESIAPORTOPOESIAPORTOPOESIA
Querido Poeta,
devo participar sim, colherei mais dados para inscrever-me !
poetizo para entrar.
........brrrrrrrrrr deve tá frio ai, hein?bjs, Ursula.


----- Original Message -----
From: Clemente Padín
Sent: Thursday, May 31, 2007 6:04 PM
Subject: Re: PORTOPOESIAPORTOPOESIAPORTOPOESIA
Estimados amigos,
me encantaraía participar en su evento. Podría realizar mi lectura de poesía experimental con poemas de Dick Higgins, Bartolomé Ferrando, Jorge Caraballo, Arrigo Lora-Totino, Felipe Bosso, José Lino Grünewald, Fernando Aguiar, Wlademir Dias-Pino, Joan Brossa, Jean-Claude Moineau, Julien Blaine y míos propios.

No sé si ustedes están en situación de pagarme el pasaje ida y vuelta Montevideo-Porto-Montevideo.

Saludos fraternos,

PD.- Acabo de regresar de Bilbao

From: Carolina Garcia
Sent: Thursday, May 31, 2007 9:41 AM
Subject: portopoesia : Qualquié, qualquié?
Carolina Garcia enviou o link de um blog para você: Quero muito estar presente neste caos de palavras, faladas, escritas, reinventadas... Vou mobilizar minha rebelde agenda e pensar numa inserçao viva para este encontro...bjs


From: Paulo Henrique Rocha Scott
Sent: Thursday, May 31, 2007 9:42 AM
Subject: Re: [Spam] PORTOPOESIAPORTOPOESIAPORTOPOESIA
boa iniciativa

VARAL VIRTUAL - MARIO PIRATA


time escalado


não sou Bilac, não tenho pátria, tic-tac
não li Cabral, mais-que-perfeito, oriental
dei Bandeira, vi Osvald de Andrade
fazer alarde com o pau-brasil pra fora
amei Vinícius, no meu ibope deu Raul Bopp
quebrei a louça com Gregório
de matos rios e florestas
joguei pião com Murilo Mendes
ganhei na bolinha de rima do Jorge de Lima
fui simbolista, agora flamengo, artista
não sou Gullar, pintou sujeira, azar
grego e troiano, copiei Afonso, o romano
na paisagem dos Campos eu falei
para Cecília: odara ou Décio
nem uísque, nem a vodca do Leminski
mas os sucos naturais da Alice Ruiz
nem Castro nem Alves
escolho poemas entre cestos e jarros
com o verdureiro Manoel de Barros
colhi rosas com Guimarães
corri pelo prado com Adélia
no patinete do Monteiro
no carrinho de lomba do Lobato
nasci no Porto que era Alegre
engoli bem cedo a língua
e fiquei com o meu próprio sotaque
sou do time do texto malandro, da poesia
do terreno baldio-meia-lua-janelinha
Drummond morreu
então Quintana sou eu


- mario pirata

VARAL VIRTUAL - LAÍS CHAFFE



Movimento

Antes, o mundo inteiro passava
diante de minha janela atônita.
Hoje, minhas janelas é que correm,
e o mundo observa, intrigado,
por trás de suas persianas de aço.


Morada

Nesse moinho
Vida esfarela
Água passa
Sede abdica.

Quisera a carne
Menos viva.
Quisera a alma
(onde é que fica?)

Quisera tempo
Sem limites.

Quisera morar em mim
Negaram o habite-se.


- Laís Chaffe

quarta-feira, 30 de maio de 2007

VARAL DE POESIA ou POESIA DE CORDÃO

Vamos criar o varal da poesia?
No PORTOPOESIA e aqui no blog.
Os poetas que quiserem pendurar seus poemas no varal
é só chegar e pendurar.

Abs Celso

terça-feira, 29 de maio de 2007

"Precisamos redescobrir o Brasil." - Osvald

PORTOPOESIA é um evento feito por poetas e para todos aqueles que são ligados a toda velocidade na poesia, independente de credo, escola ou religião. Deve acontecer nos mês de setembro, depois do dia dez e antes do dia 30.Por que esse período do ano? Porque, até lá, quem quiser participar tem tempo pra pensar e preparar uma performance, recital, apresentar seu livro, ou workshop.As inscrições estão abrindo gradativamente e não custa nada participar, ou quem sabe deveríamos cobrar um poema de ingresso?

- Marco Celso Viola

FICHA DE INSCRIÇÃO PORTOPOESIA

(para participar do evento é necessário o "fichamento" do elemento!)

Nome:.................................................................................................
Endereço:........................................................................................ Cep................................
Fone pra contato....................................... .. cel........................................
Email/site:...............................................................................................................................
Livros Publicados, com editora e ano de publicação:
.................................................................................................................................................
.................................................................................................................................................
..................................................................................................................................................
Participação:
Colocar livros (número máximo de exemplares por título: 10): sim / não: ....................
Títulos:............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Palestra (caso afirmativo indique título e assunto):
...................................................................................................................................................
Workshops (pretende fazer workshops? (atenção, não podem ser cobrados) caso afirmativo, indique título e assunto): ...................................................................................................................................................
Recital (indique título, nome do autor):
...................................................................................................................................................
Outra forma de participação:
................................................................................................................................................... ...................................................................................................................................................
...................................................................................................................................................
Nome:.................................................................................
Assinatura:.............................................................................
Data:........................................

Informações, Inscrições, contatos, Deborah, (51) 30296110 / (51) 99611664, kyronarq@terra.com.br
no blog.: http://portopoesia.blogspot.com/ .

segunda-feira, 28 de maio de 2007

O que é?



Marcus Minuzzi:
- Oi, mario. Mas, afinal, de que se trata?

Mario Pirata:
- O que vai acontecer são os poetas que irão dizer.
Poetas se reuniram na Palavraria e declararam estado de mobilização para a formatação de um evento que se multiplicará em vários, em datas a serem definidas, em espaços a serem ocupados durante três dias ainda não marcados.

(as datas agora estão marcadas (ver acima, no blog) - e o lugar é o Centro Cultural Érico Veríssimo, da CEEE, no coração da cidade de Porto Alegre, uh lá lá!)
A idéia é plantar poesia entre os postes nas calçadas do silêncio. Desenhar canteiros com margaridas e verbos. O que se possa imaginar...

sábado, 26 de maio de 2007

Porto Alegre vai parar!

Vai parar de ignorar a poesia que vai invadir as ruas, os becos escuros e sem saída de uma cidade pequena que se pretende grande. Vem aí o Porto Poesia, ancorando nessa cidade que também se pretende alegre e esquece que a poesia é a verdadeira fonte da alegria.Vem aí o Porto Poesia trazendo no bojo a revolução da poesia que acontece em bares nunca dantes navegados, em saraus feitos a dez graus abaixo de zero por poetas loucos, roucos, insones, insanos que gostam de uma arte que ninguém compra e ninguém vende.
Vem aí o Porto Poesia que vem para aquecer, desafogar Porto Alegre, desatolar Porto Alegre do seu bem comportado marasmo cultural e, de contrabando, escondido no porão dessa nau capitânia, vem junto a primavera, aquela prima distante de todos os poetas.

- Marco Celso Huffell Viola
editoraoffice@yahoo.com.br

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Qualquié, qualquié?


Festa, festival, fogueira, exposição da palavraria geral.
O movimento dos barcos da expressão no cais-caos da linguagem.
Fórum coletivo da expressão dos poetas no espaço da imaginação do povoado.
Mostra-pajelança dos diferentes afluentes das águas da poesia na cidade de Porto Alegre.


- mario pirata